Livros Livros Solo

Briga de Foice

Nasceu em 2012 o livro Briga de Foice.

Briga de Foice é meu segundo livro de histórias curtas. Mas desta vez, estes contos diferentes e que gosto tanto de escrever, vêm entremeados de frases que vão passeando entre os textos, falando deles ou de outros momentos e outras vidas. As histórias têm personagens reais ou imaginários vivendo momentos que também foram imaginados ou realmente aconteceram (na minha mente ou na realidade?). (Jacqueline Aisenman, autora)

Acabo de ler o novo livro de minicontos (ou minicrônicas?) de Jacqueline Aisenman, que está indo para o prelo e, como eu previa, é mais uma obra prima da autora. Os minicontos com as máximas nos pés das páginas fazem de Briga de Foice, um livro original, diferente, atrativo.
Eu já dizia, quando me encontrei com a escritora a primeira vez, que seu livro de textos curtos era uma coisa nova, que devia tentar uma editora maior, de distribuição nacional. Pois olha o que resultou de Lata de Conserva: escolhido o melhor livro de contos de 2011. Eu tinha razão.
O novo livro de Jacqueline segue no mesmo caminho, mostra uma literatura ainda mais apurada, mais aguçada e sei que fará tanto ou mais sucesso que o anterior. Ele é dinâmico, não conta histórias comuns nem de maneira comum. Ele é singular e o novo sempre desperta a curiosidade, sempre chama a atenção. É uma obra para fazer sucesso. (Luiz Carlos Amorim, escritor e editor e promotor cultural)

Os leitores se identificam com as personagens de Briga de foice (Design Editora, 2012, SC), que, como o anterior tanto pode ser um livro de minicontos quanto um romance desmontável, porque eles se interligam a lugares comuns do cotidiano em suas formas cruas e reais (há sempre um “vulto a povoar a escuridão dos meios sombrios”, p.43), melancólicas e tristes, alegres e humoradas, erradas e prazerosas, tortas e exemplares. Nem todas têm tipicidades únicas, aliás, a maioria nem tem tipicidade alguma, podendo muitas serem encontradas na vidinha interiorana ou no tumulto metropolitano. O que as distingue, no entanto, são suas (des)razões de ser nas pinças da narrativa aisenmaniana, nos olhares de uma autora muito atenta ao modus vivendi da gente brasileira, mas também da gente estrangeira, a considerar sua experiência de 20 anos de moradora em Genebra. O que lhe importa fazer, em nível de personagens é valorizar o convívio entre as diferenças, o que Foucault denominou de heterotopia. Por isso, os fragmentos considerados pela autora constituem o que outrora Lukács nomeou de chantefables ou acontecimentos afeiçoados nos quais permanecem realidades isoladas típicas da representatividade da “objetivação épica” humana portadora de um sentimento infinito, cuja experiência vivida pelas personagens autoriza a qualquer um(a) o sentimento do mundo em nível individual, em sua significação secreta e pessoal. (Márcio Almeida, mestre em Literatura, escritor, crítico de raridades)