Textos

Nas próximas páginas você encontrará meus textos para sua leitura.
São textos compilados através dos anos, chegando à atualidade.
Dividi em três categorias: Poemas, Contos e Crônicas e Desvarios (onde se encontram minhas frases e pensamentos).
Os textos mais antigos guardam seus aspectos primeiros, ou seja, se falam da atualidade da época ou se retratam um momento específico de minha vida, não foram atualizados.
Achei correto manter o conteúdo original por entender que cada pedaço da vida da gente é importante do seu jeito.
Muitos destes textos já foram publicados em livros meus e algumas antologias de amigos. Para conhecer melhor minhas publicações, visite a seção deste site intitulada Meus Livros.

Blog Contos e crônicas

PROFUNDAS CLAUSTROFOBIAS

Não é muito simples tentar identificar emoções. Principalmente quando elas são boas. Geralmente é o caso de se dizer: se tá bom, fica quieto. Mas eu não sou assim. Tá bom é? Então eu preciso saber por que que tá “tão” bom… mesmo se eu reconheço que o efeito de certos navegadores é eficaz neste imenso oceano da vida…, mas eu sou assim… Preciso de razões justamente quando não deveria precisar.

De repente, nos últimos dias me pego rindo do fato de estar com uma dor danada. Ou falando da fadiga extrema que me toma com o maior sorriso nos lábios… estranho?

Estranho… bem estranho… O telefone toca e a minha vontade é de jogá-lo no lixo, assassinar a pessoa que está ligando, mas me levanto lentamente, olho o número, pego o aparelho e, lentamente, coloco-o dentro do armário. Gestos que não são meus. A raiva contida é. Os gestos não.

Começo a falar, a pensar, tudo se confunde… um amontoado de pensamentos. Sonhei, pensei, falei? Algumas coisas parecem se tornar mais racionais, outras completamente irracionais. Gasto a sola dos sapatos da razão tentando encontrar uma única dica… e vem a imagem que me apavora: um submarino! Eu estou fazendo a maior festa num submarino! Logo eu, que tenho horror de submarinos!

Por isto tudo está bem… agora começo a entender… a música (Tina Charles cantava agora há pouco Love me Like a Lover), as pessoas indo e vindo, os meus sorrisos, o humor meio deslocado e o comportamento mais que distante de mim… estou fazendo a maior festa dentro de um submarino!

 Lá fora, litros e litros de água (para evitar a pesada palavra toneladas) envolvem o submarino e dentro dele estou eu… (meu coração ritmado agora com Evelyn Thomas cantando Heartless…) completamente surreal.

A imagem me causa um pavor profundo. Me entrega a uma claustrofobia impossível de controlar ou disfarçar. Aqui das profundezas nem ouso gritar. De nada serviria. Dentro do submarino tudo é falso, meus gritos nem ecoariam nas paredes.

E o oceano imenso que está sobre mim é pesado demais, escuro demais, grande demais. Qualquer grito seria abafado.

Eis a grande diferença entre uma crise de pânico quando se está na beira na praia, com os pés na pontinha das ondas do mar… e uma crise de pânico quando se está submerso no oceano, tão submerso, que já não se sente mais os movimentos das águas… não se consegue mais sentir… não se consegue mais respirar… não se consegue mais…

(Texto de alguns anos atrás (2014, 2015?), baseado em um momento vivido em 2007 e que foi o gatilho para muitas coisas que vieram depois)

Photo by Nate Neelson on Unsplash

Contos e crônicas

PONTOS À VISTA

Eu… eu tenho um ar de mistério. Um poder imperceptível, uma gota de qualquer coisa que não é possível perceber de imediato, pois está sob camadas e camadas de… mais incógnitas.


Eu… eu tenho um amor infinito. Sou capaz de viver morta e, morta, permanecer viva pelo simples desejo de amar de novo o mesmo e o mesmo amor.

Eu… eu tenho em mim formas de sedução que me assustam mais a mim mesma do que qualquer outro ser… assustam e perturbam tanto que ele quer correr, se esconder.

Eu… eu já fui capaz de amar através dos tempos e dos séculos, contra tudo e todos os tempos, não exigindo, não pedindo, mas secretamente questionando.

Eu… eu sou intensa, eu vibro mesmo se eu não estou em cena. Meus olhos, incomuns, fortes, trazem um olhar doce, apaixonado.

Eu… eu sou capaz de esperar, mas esperar lutando, mesmo lentamente, de maneira quase invisível. Lutar por emoções e considerá-las vitórias.

Eu… eu tenho uma força além do comum, assim como a força para viver. Eu tenho fome de viver. E as emoções me fortalecem mesmo quando me abandono.

Eu… eu durmo na minha terra, eu vivo na noite e os óculos escuros não escondem jamais o olhar penetrante.

Eu… eu tenho palavras fortes a dizer.

Ele… ele tem um ar de mistério. Um poder imperceptível, uma gota de qualquer coisa que não é possível perceber de imediato, pois está sob camadas e camadas de… mais incógnitas.

Ele… ele tem um amor infinito. É capaz de viver morto e, morto, permanecer vivo pelo simples desejo de amar de novo o mesmo e o mesmo amor.

Ele… ele tem em si formas de sedução que assustam mais a ele mesmo do que a qualquer outro ser… assustam e perturbam tanto que ele quer correr, se esconder.

Ele… ele já é capaz de amar através dos tempos e dos séculos, contra tudo e todos os tempos, não exigindo, não pedindo, mas secretamente questionando.

Ele… ele é intenso, ele vibra mesmo se ele não está em cena. Seus olhos, incomuns, fortes, trazem um olhar doce, apaixonado.

Ele… ele é capaz de esperar, mas esperar lutando, mesmo lentamente, de maneira quase invisível. Lutar por emoções e considerá-las vitórias.

Ele… ele tem uma força além do comum, assim como a força para viver. Ele tem fome de viver. E as emoções lhe fortalecem mesmo quando lhe abandonam.

Ele… ele dorme na sua terra, ele vive na noite e os óculos escuros não escondem jamais seu olhar penetrante.

Photo by Jake Davies on Unsplash

Contos e crônicas

ANTES DO FIM

Ela para silenciosa diante da porta. Deixa que seus olhos entrem, a porta fechada, seus passos emudecidos pela ansiedade. Se fosse a primeira vez!

Dentro, ele dança os pés em movimentos tortos. Sorri, tem vontade de gritar o quanto é bom esperá-la, saber que virá. Antes dela, tudo era bom. Porque era normal. Ou tudo era normal porque era bom. Ou talvez nem uma coisa nem outra. Agora tudo era diferente. O sabor dela estava em tudo: na voz, no riso, no silêncio, em todos os gestos decifrados pela cumplicidade apaixonada do segredo.

Ela traz de volta para si os olhos e sente a presença efervescente dele. Bonito? Não sabia dizer. Mais inteligente do que os outros? Não… Melhor do que seu outro que nem era o outro? Não… Então o quê? Por que estar ali, diante daquela porta, ofegante, segurando os dedos apressados de correrem para a maçaneta?

Pensativo ele se dizia que se fosse um bicho seria… seria… um urso! Não… um leão… ou… não importava… qualquer qualidade ou defeito perdia a força só porque daqui a instantes ela estaria ali e ele seria capaz de tudo. Ele sabia o quanto sempre fora reprimido, o quanto se sentira acabado, angustiado, perto do fim. Aí ela surgira. Ou melhor, começara a aparecer diante dos seus olhos negligentes. Não podia imaginar é que um dia ela o olhasse, conseguisse ver nele o que ninguém mais via: o homem adormecido, quase morto, o jovem dentro de um corpo envelhecendo sem seu consentimento.

Ela alcança a maçaneta, arruma os cabelos e lembra da primeira vez. Complicada como se fosse coisa de adolescente. Nem achava que ainda existisse um homem no mundo de hoje cavalheiro como ele, tímido daquele jeito, que ficasse cor de rosa, vermelho mesmo, só com um olhar. Ingênuo? Pensava que não. Mas talvez fosse. Doce… tão cheio de carinho, um poço! E forte, tocava nela como se fosse um tesouro, uma peça única, rara. Com ele não havia necessidade de fingir, de ser outra. Era ela a outra. E bastava. Ainda sentia o corpo todo arrepiar, um friozinho besta passar… o desejo continuava forte e a porta estava só precisando ser aberta.

Demora! Passavam já cinco minutos do horário marcado. Tudo bem, não era nada. Demora da hora, demora dela, demora da saudade, demora desta vontade louca de tê-la e nunca mais devolvê-la! Ele tinha esquecido quanto tempo fazia que não usava estes termos: saudade, amor, paixão! Com ela tudo vinha mágico, sem raciocínio, apenas a pele clara, o corpo maduro da mulher que ele abraçava e desejava que fosse só seu. Uma vez, há muito tempo atrás, pensara no fato de ter uma amante, como a maioria dos seus amigos. Descartara a ideia. Agora, quando a via entrando, sorrindo, lentamente chegando e beijando seu rosto, seu corpo, suas mãos ultrapassando seus limites, ele se perguntava ainda. Não conseguia chamá-la amante, mas sim, de amor. Ela sentia o rubor encher-lhe a face esvaziando os pensamentos. Quanto estavam juntos não queria que o tempo passasse. E se passasse, que acabasse ali, de uma vez, para que não precisasse retornar a nenhum outro mundo. Nem deixá-lo tampouco. Eram mundos diferentes e, cliché, iguais. A velha história do tudo que é igual separa. Apenas, quando seus lábios deixavam de ser seus lábios e se tornavam uma fonte inesgotável de paixão, sabia-se capaz de tudo. A cada instante. Desejava dele o momento. E no momento, o corpo e a presença. Amava percorrer todos os caminhos daquele ser temeroso de deixar-se ir.

Ele havia perdido os preconceitos do corpo imperfeito, da idade não mais tão jovem. Hesita e abre os olhos. Ela está ali! A cada vez é a mesma coisa… quer olhá-la… mas tem medo que o desejo afugente o sonho… Logo agora que com ela havia se descoberto novamente homem. E era novamente todo princípio. E fim. E não num sonho perfeito, mas na sua realidade, imperfeita que fosse.

Photo by Pablo Heimplatz on Unsplash

Desvarios

FRAGMENTOS DE MIM

Sou uma pessoa fragmentada, a vida faz disto… Partes de mim estão expostas, outras completamente encobertas. Partes que continuam quebradas, outras que já conseguiram se recolar. Mas nada me mantém totalmente sob as cortinas e nem completamente partida. Não enfraqueço porque me faço pedaços, mas sim, me torno mais forte reforçando cada parte. Posso não estar ilesa, mas sou uma pessoa inteira.

Photo by Edgar Hernández on Unsplash

Contos e crônicas

ESMERALDA

Nascida nas estradas da vida, ela era uma estrela, Esmeralda. Estrela de olhos de mar. Navegava a vida, cavalgando ondas e catando conchas. De vez em quando se perdia, meio que se afogava, engolia água, perdia pé, sentia medo. Mas sempre voltava à tona. Mais forte, com menos raízes e asas mais largas. As pessoas não entendiam como o sofrimento, que era o alimento maior daquela mulher, não conseguia acabar com ela. Esmeralda alimentava-se de dor. Era uma sobrevivente das dores da vida nas suas mais diversas expressões. Usava as marcas como adorno e seguia. A beleza de suas rugas não a deixaria mentir: era única! E acima de tudo, ela era a alegria de suas roupas coloridas, de seus colorares dourados, dos brincos que dançavam quase sobre os ombros. Mulher de fibra, Esmeralda era cigana.

Photo by Lance Asper on Unsplash

Poemas

INTEMPÉRIES

Diante de mim o tempo reflete minha vida

em seu espelho cruel.

Ele passa para todos na mesma velocidade?

Deve passar…

Mas não nas entranhas, no âmago, não na alma.

Passa pelo corpo, leva a leveza levando com ela a leviandade.

Deixa as marcas, marca cada passo dado, cada erro feito, o imperfeito.

Eu tenho expressões no rosto

o sentimento exposto

por traços que o tempo desenhou…

Enfrentar o próprio olhar é mais difícil do que enfrentar o olhar alheio. Por isto espelhos não têm voz.

Photo by Sander Weeteling on Unsplash

Contos e crônicas

HORÁCIO E O ÔNIBUS

Horácio caminhou em direção ao ponto de ônibus certo de que não precisava correr. Seus passos largos certamente o fariam chegar lá antes do ônibus que surgia, quase sempre, do nada. Era uma espécie de corrida que ele apostava. Todos os dias. Algumas vezes ganhava, chegava a tempo mesmo de sentar e abrir o jornal, folhear algumas páginas. Mas tinha vezes em que o danado do ônibus aparecia, vá saber de onde e, quando ele tentava apertar o passo, correr mesmo, lá estava ele já arrancando. De propósito, só podia. Mas hoje ele estava sem pressa. Caminhava com os passos normais. Mesmo que não resistisse e olhasse para trás várias vezes. Hábito. Chegou, sentou-se, abriu o jornal. Passaram então três ônibus antes que Horácio se decidisse a entrar num. Não importava mesmo. Não tinha para onde ir mesmo. O emprego que perdera ontem mudara totalmente o seu itinerário.

Photo by Katleen Vanacker on Unsplash

Contos e crônicas

AS ESPERAS DE ROSA

Nos últimos tempos Rosa abriu mão de tudo. Não saía mais, não se arrumava mais. Fica em casa esperando. Esperava o carteiro, esperava o telefone tocar, esperava chegar quem lhe desse mais do que um pouco de voz. Prendia os cabelos para não tê-los agarrados ao ombro, já tão pesado dos fardos que a vida insistia em lhe dar. Insistia? A vida? Não seria talvez ela mesma que trazia tanto para dentro de si, até não mais aguentar? Rosa olhava pela janela e via as pessoas que passavam apressadas. Ela já tinha tido pressa também. Mas não agora. Agora apenas esperava. E de vez em quando, quando o sono vinha, ela então partia. Sem nunca saber para onde, sem nunca saber quando voltaria. Mas esperava voltar. Como tudo. Ela esperava.

Photo by Tyler McRobert on Unsplash

Desvarios

PENSEI…

Escritor poeta ou poeta escritor? Escritor ou poeta? Poeta ou escritor? Em que lugar se encontram a prosa e o verso? Onde se entrelaçam os textos? Quando se descobre a poesia num texto ele vira poema ou continua prosa? Quando um poema se despe das métricas ele encontra a prosa?
Prosa e verso… Inspiração, compulsão, educação, treino ou intuição? (2011)

Photo by Ana Viegas on Unsplash

Desvarios

PENSEI…

Somos o que somos. E também o que construimos ao longo da vida. Somos o que dizemos, o que fazemos, o que pensamos. 
E somos também a memória que permanece no coração daqueles que amamos e nos amam. E não uma memória construída pela dor, mas sim, a verdadeira, aquela que atesta a verdade de nossa existência e que só pode ser acessada através da bondade da alma.

Photo by sarandy westfall on Unsplash