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Escrevo na internet desde 2006. Tive um primeiro blog, intitulado Certas Linhas Tortas que ficou no ar até 2007. Numa manobra inesperada, acabei apagando todo o conteúdo e tive então que criar uma segunda versão, com o mesmo título, que está no ar desde 2007.
Com a chegada desta nova versão do site Coracional, estou transferindo para cá minhas postagens  e o blog Certas Linhas Tortas não será mais atualizado, mas permanecerá no ar como uma excelente lembrança dos momentos passados por lá.

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CONVITE PARA LEITURA: REVISTA NOVA!

São quatro as estações que se dividem durante o ano e cada uma, em sua grande beleza e peculiaridade, conquista a preferência de alguém.

Vivemos as mudanças climáticas não somente através da observação das paisagens, mas, muitas e intensas vezes, dentro de nossos corações. Somos inverno quando estamos tristes e ficamos introspectivos; esperançosos e vivazes com a primavera; alegres e quentes como o verão; melancólicos como o outono.

Foi pensando na beleza das estações do ano e naquilo que elas representam para nós, que resolvemos dedicar esta edição de maio a estes períodos que fazem ressurgir nos indivíduos e na coletividade os humores que, assim como mudam tudo ao redor de nós, mudam também o que ocorre dentro de nós.

Estamos na primavera aqui no hemisfério norte e este é um momento de grande alegria vivenciado por todos, já que normalmente o inverno é longo, o frio é intenso e as paisagens acinzentadas costumam deixar as pessoas mais fechadas do que o normal. A primavera, ao nos mostrar o verde renascendo nas árvores, parques e jardins, mostra também o colorido inigualável das flores que surgem em todos os cantos em suas mais variadas formas. Viver a primavera é uma espécie de ressurgimento do ser, de retorno à tona depois de um longo mergulho no frio e na introspectividade.

Nesta edição trazemos textos de muitos autores que falaram da significância de cada uma das estações, mas percebemos que, justamente, é a primavera a estação mais citada. Alguns poucos escreveram sobre o verão e o inverno, vários trouxeram o outono como tema, mas a grande maioria teceu odes à primavera!

Outro ponto de destaque nos textos, a inevitável comparação das quatro estações do ano com as etapas da vida do ser humano, do princípio da vida ao seu declínio. Com estilos diferentes, os autores redigiram versos e prosas mostrando as fases que vivemos ao longo da existência.

Gostaria de falar aqui da grande alegria que é receber os textos dos que escrevem conosco. Temos escritores que colaboram com a revista há anos, praticamente desde o início da mesma e que, com a regularidade que permite a vida, marcam presença em nossas edições. Este é um presente que não tem preço, pois a assiduidade destes colaboradores é algo que só faz com que agradeçamos dia após dia a união que temos através da literatura. Da mesma forma, temos com frequência os novos autores que vão chegando e enviando seus textos para publicação. Muitos deles, escrevendo pela primeira vez em um caderno literário, mostram alguma timidez, receios quanto à divulgação e direitos autorais. Por este motivo, trazemos novamente nesta edição as explicações sobre como funciona o Varal do Brasil, assim como as perguntas realizadas mais frequentemente.

Embora tenhamos comunicado com antecedência, várias pessoas parecem não ter recebido a informação de que não estaremos presentes este ano no Salão do Livro de Genebra. Por decisão de nossa equipe, foi afastada a possibilidade de participação do Varal do Brasil em 2016 e será avaliada durante o ano em curso a viabilidade de futuras participações. No dia 30 de abril realizaremos um encontro informal em Genebra, onde trocaremos ideias com escritores e leitores. O encontro será no Café Pessoa, restaurante literário português. Na mesma ocasião, o Varal do Brasil fará doação de livros aos presentes, sendo estes livros de literatura brasileira em Português oriundos do estoque próprio do Varal.

Em março o Varal do Brasil fez uma significativa doação de títulos de literatura brasileira em Língua Portuguesa ao Consulado-Geral do Brasil em Genebra com o intuito de formar naquele local, por iniciativa da Embaixadora Maria Nazaré Farani Azevêdo, uma biblioteca em Português. Por circunstâncias diversas, a biblioteca deu lugar a um Sebo Popular, onde o público pode trocar livros e assim, desta forma, ter acesso democrático à literatura. O Sebo do Consulado tem sido visto com muita simpatia pelo público que apreciou a ideia e lá tem ido buscar leituras. Temos a satisfação de acompanhar a evolução do setor cultural do Consulado e ver que a população brasileira em Genebra tem sido bastante receptiva a todas as propostas lá realizadas. Também, além da parte cultural, projetos sociais e educativos têm tido sucesso e um excelente retorno.

Falando agora de nosso próximo número, que será uma edição especial, temos a satisfação de dizer que as inscrições superaram nossas expectativas em quantidade e qualidade.

O tema, intitulado O Lado Escuro do Ser, propõe-se a tratar de emoções escondidas, de violências diversas, dos pecados capitais, das lutas interiores, enfim, daquilo que nos assombra e que traremos para a luz. Os participantes da edição foram criativos, inspirados e enviaram textos ricos e profundos. Dores foram expostas e lágrimas lavaram muitas linhas.

Enquanto aguarda a edição de junho, que virá plena de emotividade no final de maio, aproveite este número alegre e colorido! Tenho certeza que você apreciará os poemas, contos e crônicas aqui publicados. Agradecendo sempre a leitura dos amigos, deixo com vocês mais esta edição e apenas digo: até a próxima!

 

Pra ler:

 

 

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FAREI…

Farei o possível. Prometo. Tentarei com todas as forças. Estou dizendo. Afirmo. Vou fazer das tripas coração. Acredite. Serei incansável. Irei até o fim. Atravessarei desertos e montanhas. Verdade! Não haverá mar que me atenha, nem vento que me segure. Esteja certo disto. Deixarei o corpo se for preciso, seguirei com a alma. Mas serei imbatível, pode crer. Nada e nem ninguém poderá me deter. Conspirarei com o universo, dialogarei com o destino. Serei extremamente persuasiva. Saiba bem que não sei desistir. Dito isto, espero que tenha compreendido: ficar longe de você não é uma opção, seguir a vida sem você não é uma possibilidade. Quando conseguimos manter as individualidades e ainda assim encontramos a união, vale a pena todo esforço, toda luta, todas as batalhas.

O fim sempre será um recomeço.

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COISAS CHATAS

Tem coisa que é chata. Chata mesmo. Chata de fazer, de dizer, de ouvir. Tem coisa que é chata só de olhar. Tem coisa que parece que foi criada para ser chata, não tem nem como arranjar desculpas. O bom da chatice é que ela, como tudo na vida, é relativa: o que é chato para uns, não é para outros. Fora isto, chatice incomoda. Fazer algo chato pode ser apenas suportável. Mas se é necessário, a gente dá a volta por cima e… continua, fazer o que? Dizer coisas que podem chatear, aí vai de quem diz, porque ficar calado é uma opção e, creio, sempre a melhor opção. Opção útil também para quem não tem noção e só diz coisas chatas. Mas ficar calado nem sempre é possível, então, como disse antes, que seja mesmo necessário. E ainda assim, como é ruim! E ouvir coisas chatas? Dá? Nestes casos a gente faz como? Sorri? Se evade mentalmente? Chora? Ouve pra ver até onde vai a chatice? Cada um é cada um. Mas que tem coisa que é muito chata, isto tem. Sempre tem. Em qualquer lugar do mundo tem. E gente chata…Ah, este é outro drama, outro papo…

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FÉRIAS!

Olá amigos!

Estarei de férias a partir de hoje até o dia 6 de abril. Voltarei a postar textos aqui no site/blog a partir do dia 7 de abril.

Estou indo para Santa Catarina (Laguna e Florianópolis) para rever os amigos que fazem tanta falta!

Deixo vocês com os mais de 700 posts (crônicas, contos, poemas, pensamentos) que estão aqui publicados e espero que tenham uma excelente leitura.  Aliás, aqui eu gostaria de agradecer muito a vocês que me visitam nesta residência virtual e me dão a alegria imensa de ler o que escrevo!

As mensagens para meu e-mail coracional@gmail.com serão respondidas a partir de 7 de abril.

Para você que estiver em Laguna ou região na próxima sexta-feira, estarei no Instituto Cultural Chachá para a abertura da exposição de meu saudoso pai, o artista plástico Richard Calil Bulos. Será um prazer revê-los (ou conhecê-los)!

Bem, passem uma excelente Páscoa e até breve meus amigos!

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CONTAGEM REGRESSIVA

Na contagem regressiva para as férias: faltam 4 dias para a viagem!

Vou para o Brasil. Isto mesmo. Vou para o Brasil.

Bem, quando as passagens foram compradas não dava para ter ideia que o momento seria exatamente este, estilo primavera árabe, onde está tudo mais ou menos de cabeça pra baixo. Motivo: basicamente todos querem o fim da corrupção política. Que bom, enfim! Mas… as coisas estão muito estranhas…
Tem justiça (justiceiros?) passando por cima de tudo que nem trator. Tem corruptos notórios julgando um processo de impeachment. Tem políticos no poder que não tem mais força política. Tem político fascista subindo no gosto do público. Tem mídia completamente apodrecida. 
Enfim, tem coisa demais para que a gente consiga verdadeiramente entender o que está acontecendo realmente e onde é que tudo isto vai parar.
Vi no Facebook muita agressão entre amigos por causa de opiniões políticas. Brigas, bloqueios, discussões sérias!
Ninguém consegue ficar no meio desta loucura de extremistas sem ser xingado (eu me coloco e permaneço no meio porque não me sinto bem em nenhum dos dois extremos políticos).
Ah… se a pessoa se veste de preto está contra a democracia. Se se veste de vermelho é comunista. Gente, que é que é isto? 
Onde foram parar as liberdades: de pensamento, de expressão e etc.? As agressões às pessoas estão sendo covardes e cruéis!
Bem… por via das dúvidas, estou tirando da mala roupas pretas e roupas vermelhas. Isto apesar de estar indo apenas passar duas semanas com os amigos, para com eles passar bons momentos. Não quero ir para a guerra com ninguém.
Quero também ver um país livre da corrupção. Mas quero um país justo e democrático, onde não haja extremismo de nenhuma forma e todos possam ter a liberdade de dizer e escrever o que pensam. Onde todos os corruptos, independente de partidos políticos e posições sociais, sejam julgados corretamente, punidos e condenados.
Brasil, daqui a pouco estou aí, estou com saudades, preciso muito ver tuas cores e saber que, apesar dos pesares, teu coração gigante continua a bater forte!

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REFLEXÃO DE HORAS NÃO VAGAS

Não tenho mais meus avós. Também não tenho mais meus pais. Nem irmãos (só tive um). O verbo “ter” aqui, aplica-se ao óbvio, matéria visível. Portanto, quando digo não tê-los mais, sinto uma sensação bizarra: a de olhar para cima na genealogia (ou para trás no tempo) e ver-me como o alicerce que restou de uma pequena família. Confesso que é uma sensação bastante forte, tanto ela passa a responsabilidade mais do que da existência, a responsabilidade do exemplo e do legado. Ver-se assim muda toda a perspectiva de vida e transforma a gente fazendo com que tudo adquira uma importância. Dos mais irrelevantes pensamentos às ações essenciais. Finalmente, não se tem mais. Se é.

 

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UM DIA

Um dia tive 16 anos. E nestes 16 anos vivi a eternidade tão peculiar a esta época em que acreditamos poder tudo. Sou filha da ditadura, cresci conhecendo esta madrasta que me fez querer abrir portas e janelas a pontapés. Mas tive a grande e inesquecível sorte de ter uma família esclarecida, aberta, que me mostrava todos os lados do horizonte, mesmo com as cortinas fechadas impedindo a visão. Tive familiares que alimentaram meus sonhos, acreditaram em minhas capacidades e me permitiram construir asas e com elas voar. Tive professores que, assim como em casa, na escola me ensinaram a ler, a pesquisar e a pensar. Me ensinaram a refletir por mim mesma, duvidar de livros e palavras até chegar à verdade, esta nem sempre absoluta. Nos meus 16 anos, agora já tão distantes, sonhei muito, brinquei muito, tive momentos de dor e alegria. Assim como antes dos 16. E bem depois dos 16. Hoje me sinto feliz, tenho ao meu lado uma pessoa que mais do que me apoiar, me impulsiona e acompanha. Tenho filhos dos quais me orgulho e pelos quais tenho um amor incondicional. Tenho um trabalho que criei e que amo. Amigos espalhados pelo mundo e pelos quais tenho profunda estima. Em resumo, viver livre e feliz tem me feito muito bem. Espero poder continuar. E mesmo sabendo que os 16 estão longe no tempo, saber que o que eu acreditava lá atrás ainda estará no meu coração, me dará forças para continuar crescendo, sem nunca perder a essência.

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MEU DIA

Meu dia é sempre especial para mim mesma! Gosto de comemorar porque considero a vida nosso maior dom.

A cada ano que passa fico ainda mais feliz e surpresa, pois faço a retrospectiva de tudo o que fiz até aqui e vejo que não estou na vida em vão. Mas ainda há muito por fazer, muito por dizer e enquanto eu puder, seguirei em frente!

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SENDO MULHER

Volta e meia era menina, de rosa e boneca e laço apertado. Volta meia era menino, rosto sujo, cara braba e vontade de brigar. Volta e tanta e meia a mais, virei mulher: em meio a tentar ser bonita e ser capaz e ser forte e… os saltos cansam, esqueço o batom e os cabelos se revoltam mais do que eu. Por isto, dentro aqui de mim ainda tem menina e menino. A menina que redescobre os brincos e brinca de ser mulher vaidosa e o menino que se joga na vida e nem quer saber que aparência tem. Mas a menina também luta feio e vigorosamente por tudo o que quer e o menino também se fantasia e permite voar entre os sonhos. Dentro de mim tem na verdade uma população inteira querendo existir e toda ela com um nome só: mulher!

 

Imagem by Beverly & Pack