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Escrevo na internet desde 2006. Tive um primeiro blog, intitulado Certas Linhas Tortas que ficou no ar até 2007. Numa manobra inesperada, acabei apagando todo o conteúdo e tive então que criar uma segunda versão, com o mesmo título, que está no ar desde 2007.
Com a chegada desta nova versão do site Coracional, estou transferindo para cá minhas postagens  e o blog Certas Linhas Tortas não será mais atualizado, mas permanecerá no ar como uma excelente lembrança dos momentos passados por lá.

Blog Contos e crônicas

PROFUNDAS CLAUSTROFOBIAS

Não é muito simples tentar identificar emoções. Principalmente quando elas são boas. Geralmente é o caso de se dizer: se tá bom, fica quieto. Mas eu não sou assim. Tá bom é? Então eu preciso saber por que que tá “tão” bom… mesmo se eu reconheço que o efeito de certos navegadores é eficaz neste imenso oceano da vida…, mas eu sou assim… Preciso de razões justamente quando não deveria precisar.

De repente, nos últimos dias me pego rindo do fato de estar com uma dor danada. Ou falando da fadiga extrema que me toma com o maior sorriso nos lábios… estranho?

Estranho… bem estranho… O telefone toca e a minha vontade é de jogá-lo no lixo, assassinar a pessoa que está ligando, mas me levanto lentamente, olho o número, pego o aparelho e, lentamente, coloco-o dentro do armário. Gestos que não são meus. A raiva contida é. Os gestos não.

Começo a falar, a pensar, tudo se confunde… um amontoado de pensamentos. Sonhei, pensei, falei? Algumas coisas parecem se tornar mais racionais, outras completamente irracionais. Gasto a sola dos sapatos da razão tentando encontrar uma única dica… e vem a imagem que me apavora: um submarino! Eu estou fazendo a maior festa num submarino! Logo eu, que tenho horror de submarinos!

Por isto tudo está bem… agora começo a entender… a música (Tina Charles cantava agora há pouco Love me Like a Lover), as pessoas indo e vindo, os meus sorrisos, o humor meio deslocado e o comportamento mais que distante de mim… estou fazendo a maior festa dentro de um submarino!

 Lá fora, litros e litros de água (para evitar a pesada palavra toneladas) envolvem o submarino e dentro dele estou eu… (meu coração ritmado agora com Evelyn Thomas cantando Heartless…) completamente surreal.

A imagem me causa um pavor profundo. Me entrega a uma claustrofobia impossível de controlar ou disfarçar. Aqui das profundezas nem ouso gritar. De nada serviria. Dentro do submarino tudo é falso, meus gritos nem ecoariam nas paredes.

E o oceano imenso que está sobre mim é pesado demais, escuro demais, grande demais. Qualquer grito seria abafado.

Eis a grande diferença entre uma crise de pânico quando se está na beira na praia, com os pés na pontinha das ondas do mar… e uma crise de pânico quando se está submerso no oceano, tão submerso, que já não se sente mais os movimentos das águas… não se consegue mais sentir… não se consegue mais respirar… não se consegue mais…

(Texto de alguns anos atrás (2014, 2015?), baseado em um momento vivido em 2007 e que foi o gatilho para muitas coisas que vieram depois)

Photo by Nate Neelson on Unsplash

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ACIDEZ ESTOMACAL E FEBRE INCONTROLÁVEL

Nem sempre é simples. Na verdade não é simples nunca. Viver todas as vinte e quatro horas de cada dia com dor os sete dias da semana que somam os trinta ou trinta e um dias de cada mês não é coisa simples. Claro que há momentos em que se faz manobras para evitar que as dores se tornem mais vigorosas. Menos tenebrosas, vamos dizer. Momentos em que algumas dores adormecem, outras cochilam, mas outras ainda permanecem bem acordadas. São sim, vinte e quatro horas sentindo que o corpo padece. Padece das dores e de toda a medicação tomada para tentar acalmá-las.

E alma enfraquece assim? Enfraquece. Como o estômago que transborda sua acidez e as febres súbitas a superaquecer o organismo. Calor, frio, dores, uma agonia que tira a paciência, leva embora a alegria e mexe com o desejo profundo de existir.

Dentro desta conjuntura de anos a fio, a cronicidade agravando, havia a esperança, sempre, ao pensar e falar de meu ponto de amor mais profundo: meu país de nascimento, aquele que ousei emprestar o nome e colocar num varal de letras o qual, feliz, estendi pelo mundo. Aquele que foi meu orgulho e o que defendia com as unhas, os dentes e o ventre.

Mas agora… Como começar a dizer? Ou melhor, como terminar? Há mais de três anos venho sofrendo também da dor da perda lenta de meu próprio país. Vendo a gradativa falência dos órgãos do chão que meu deu raízes e estas raízes sendo arrancadas com o ódio e a força do egoísmo de uns poucos.

Um sofrimento que atualmente é gritante como minhas próprias dores físicas, já que meu país foi entregue e a destruição é tão grande, tão grande, mas tão grande, que o mundo já não grita por ele, apenas, e eu vejo e sinto isto com uma tristeza pesada, observa calado o abismo que o engole.

Pessoas cegas, tendo o fanatismo, a ganância e o ódio como viseiras, queimam florestas, assassinam índios, fauna e flora desaparecendo a olhos vistos. Todos os direitos trabalhistas esmigalhados, os direitos à saúde se esmorecendo a cada hora. O desrespeito e o racismo se tornando tão normais, chegando num ponto de não retorno. A educação sendo pisoteada e assim evitando que mais mentes possam crescer pensando e questionando. A cultura se tornando um caminho estreito ladeado por uma ideologia perigosa. A fome se agigantando outra vez, tomando o corpo dos infelizes.

Pobre Brasil! Pobre brasileiros que não desejaram colocar esses destruidores no poder e hoje sofrem as consequências brutais das decisões monstruosas tomadas por eles. Pobre Brasil! Tendo suas vísceras esmagadas por inomináveis seres que sequer fingem governar para o bem de todos.

Minhas raízes arrancadas, grito e esperneio sem parar. Meus gritos ecoam onde? Não sei. Talvez nem ecoem. Talvez meu sofrimento por ver meu país cair sem resistir me faça perceber que o que sinto no corpo nem é coisa a ser falada.

Hoje chove aqui tão longe do meu Brasil. Queria que chovesse lá. Uma chuva de água benta de amor ao próximo que lavasse os corações todos. Ou não. Às vezes é bom que chova. Mas ácido e canivetes. Para saciar a sede de certas criaturas, água não basta.

E eu que certamente não verei mais minha terra-mãe, morrerei um dia aqui ou ali com os pés arrebatados de lá. Portanto, sim, de todos os sofrimentos possíveis, a aflição por meus irmãos e por meu país destruído será a maior, a mais forte, a mais terrível dor que carregarei comigo até meu próprio fim.

Photo by Banter Snaps on Unsplash

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E VAMOS ATUALIZANDO…

Vou contar um segredo (será?): Com meus probleminhas (aqueles de saúde que vão se acumulando, sabe?) ficou um pouco duro atualizar o blog com regularidade. Então venho postando uma vez ou outra, quando é possível, quando consigo, quando a escrita sai por meus dedos e corre para o teclado mais rápido do que o cansaço que sempre me toma.

Agora estou tentando me organizar e reorganizar o blog. Seções, artigos, páginas, etc.. Fazendo uma busca em HDs externos antigos que tinha guardado em gavetas nesta fase “organizacional” para poder eliminar bobagens, acabei achando muitos textos meus de várias datas. São textos que já foram publicados em livros, outros nunca. Textos que tinha postado no meu “old” blog Certas Linhas Tortas e outros que eu nem lembrava ter escrito.

Resultado disto tudo: Além da “reforma estrutural” no blog, também tenho agora um grande material a ser postado por aqui, na medida do meu possível.

Fico feliz ao perceber que tenho continuado a receber a visita de vocês e também de saber que novos visitantes chegam. Minhas boas-vindas sempre a todos e gratidão pela visita e pela leitura.

Photo by Pineapple Supply Co. on Unsplash

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UM POUCO DE ESPERANÇA NO CAOS

Quando vivemos situações difíceis de suportar, vem à mente que há tantas coisas na vida que pensamos não suportar, mas suportamos, mesmo com dificuldade, suportamos. E, mais do que isto, vencemos.

Somos muito mais do que as palavras de reclamação que saem de dentro da gente. A rotina cansa? Férias longas também cansam! Calor demais é horrível? Frio também! A vida lá fora está desesperadora? Passamos por tanto antes, conseguiremos superar mais uma vez. Problemas de saúde não nos permitem sequer viver com um mínimo de normalidade? Comemoremos! Ainda está vivo e podemos tentar melhorar pelo menos alguma coisa!

Palavras são ditas e tentam nos ferir, humilhar, incomodar? Atos de instigação à violência e preconceito nos cercam como flechas envenenadas?Não deixemos que nos atinjam aqueles que, certamente, não sabem mais o que é dignidade ou amor próprio e se escondem sob a aba da covardia!

A vida parece um caos muitas vezes, o desespero bate… Certas coisas doem na gente como cortes de papel na pele ou até feridas profundas…

Mas pensemos no bem, nas razões da vida, nas certezas subentendidas do Universo: O mundo dá voltas e as voltas do mundo trazem os medicamentos mais inesperados para todos os males.

Falta tempo? O tempo é o mesmo todos os dias: 24 horas! Portanto, se nos organizarmos, ou mesmo se perdermos a obsessão “tempo“, cada dia será um dia diferente e, quem sabe, talvez bem melhor! Vivamos hoje. Vivamos bem. Ao menos tentemos. Alguém vai nos ver tentar, vai se inspirar mesmo sem nada dizer e vai tentar também. Tentativas serão somadas e, se muitos de nós tentarmos, nossa convivência amorosa será benéfica para todos.

O sistema social não mudará de imediato, a roda deste sistema é velha, enferrujada e corroída. Toda mudança leva tempo e a verdade é que, como a árvore que se planta, muitas vezes nem veremos os seus frutos!

Perdoemos os erros uns dos outros e os nossos. Tentemos ao menos. E sigamos em frente, porque acreditar que é possível ao invés de reclamar, afirmar boas coisas ao invés de confinar nossos pensamentos no luto da falta de esperança e lutar pelo que possa melhorar nossas vidas e a dos nossos próximos é o que fará a diferença.

Que possamos nos colocar no lugar do outro antes de criticar, de jogar a pedras, de acusar ou agir de forma irreversível. Que sejamos empáticos, caridosos no silêncio do amor verdadeiro e, mais do que tudo, que saibamos reconhecer e assumir nossas falhas para abrir espaço cada vez maior para o bem e o bom nesta sociedade tão carente de amor e paz.

Imagem de Carolina Heza

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ABRAÇO O MUNDO

Porque assim somos, seguimos tantas vezes numa rapidez destoada, passos que não respiram, garganta cerrada de quantas palavras trancadas no ventre.

O tempo passa, ele vai adiante sem se preocupar se a gente acompanha ou não. E um belo dia tentamos lhe alcançar sem conseguir.

Volto, faço a volta. Não há caminho de volta. Será que saberia voltar? Mas… e afinal, quem precisa mesmo voltar?

Viver sem molhar os pés, sem virar de ponta cabeça, sem se torcer e retorcer, sem a dor do tentei, mas não deu. Viver do erro apontado, do erro negado, do erro sabido, do erro maltrapilho que se alimenta do medo e não deixa mais nada acontecer naturalmente. Não é possível viver sem se deixar levar pela vida. Pela mão, de olhos abertos ou fechados, como criança ou aos trambolhões.

É preciso dizer que aquilo que a solidão melhor ensina é ter uma fobia louca da gente mesmo e de tudo o que nos pode ser possível alcançar e realizar durante as caminhadas, mesmo aquelas não programadas. O absurdo do medo que não tem nome, que suplica à insegurança instantes a mais para nos matar eficazmente.

É assim com o passo dado e o tombo vivido. O levantar, a dor, a vergonha e a tristeza. É assim também com a fala engolida, quando se tenta soltá-la e ela sai tímida, amedrontada por respostas não dadas ou gritos que enxovalham. Também assim é com o sorriso interiorizado, aterrorizado, que se mostra numa fotografia e nas ruas não tem a ousadia de se exibir.

Outros foram os dias de chuva, de cinza e de escuridão. Todos eles interiores, que nuvens no céu não são capazes de descolorir o dia a tal ponto. Nem a chuva estraga o caminho de quem sabe onde vai ou sonha para onde deseja ir.

Hoje, na manhã começada, uma paz sem precedentes, um convite interior trouxe-me para fora de mim outra vez. Tinha me perdido tão longamente em minhas profundezas que senti uma certa dificuldade em compreender aquela vontade tão simples.

Eu queria abraçar o mundo. Queria abraçar a paisagem inteira que me recebia. Eu queria e então abri os braços, envolvi o mundo num longo e prazeroso abraço até que me senti novamente parte dele.

Abracei o mundo! Nossa, fazia tempo! Fazia tanto tempo do último abraço, que me veio instantaneamente o espanto: … Eu não sabia mais do tamanho, da grandeza dos meus próprios braços!

Photo by @fuuj on @unsplash

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AMOR POR LIVROS

Palavras que retratam o que me faz ser eu. Livros eu li e livros eu escrevi. Livros troquei, doei, vendi, divulguei, carreguei nos braços como os tesouros que sempre foram pra mim. Hoje levo na bolsa uma biblioteca, meu querido amigo Kindle Oasis não me deixa na mão! Se já não posso mais ter nos braços o “peso” dos amados livros, tenho-os agora na biblioteca virtual. E ainda assim, a cada virar de página, sinto o aroma das folhas de papel, o farfalhar entre meus dedos a cantar a sublime canção das histórias lidas… Ler é vida e minha vida é ler. Não importa onde, não importa quando, importa apenas poder agradecer poder ler, agradecer quem escreve… A vida sempre será melhor com os livros como companheiros!

Texto escrito na foto: Silas Fonseca, montagem de Patchwork das Ideias

Blog Contos e crônicas

MÚSICAS NA CABEÇA E OUTRAS COISAS BOAS

Fazer o que se gosta é algo realmente muito bom, dá mais espaço para a boa vontade, libera a inspiração e deixa a gente com a liberdade de “ser” dentro do próprio trabalho, ou seja, existir plenamente.

E no dia a dia, nada mais gostoso do que trabalhar com música! Isto eu adoro. Das clássicas (amo Bach e violoncelo; as missas! ah como são lindas as músicas sacras!) passando pelas músicas que se inspiram na natureza (som do mar, sons de chuva, tempestade, etc.) até chegar ao jazz, pop, rock (delícia que é se abandonar ao som de uma guitarra)… Pouco importa. Sou realmente eclética e tudo depende do meu momento e também do que eu estiver fazendo. Mas escuto de tudo.

Há uma alegria inexplicada em combinar música e trabalho.

 

Imagem by rawpixel on Unsplash

 

 

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SABER O MOMENTO EXATO

Saber o momento exato para alguma coisa é algo muito difícil, se não for, mesmo, algo impossível. O momento exato de começar algo, de levar adiante e enfim, de parar. Eis o que talvez seja o mais difícil de tudo. Saber o momento de parar.

Hoje, a dois meses de completar sete anos de atividades, venho comunicar a todos os amigos que o VARAL DO BRASIL está encerrando suas atividades, nelas incluindo aqui a revista literária, motor do que se tornou o Varal para a comunidade literária lusófona internacional.

Pendurei o Varal  pela primeira vez em 2009 com o objetivo de fazer “literatura sem frescuras” num mundo literário avesso à simplicidade e aos escritores “iniciantes”. Considero que fui longe, bem mais do que poderia sequer imaginar. A revista, as antologias, os concursos literários, as participações dinâmicas no Salão Internacional do Livro de Genebra, os eventos aqui na Suíça e no Brasil… Tudo foi parte de um longo, frutuoso e feliz caminho, por onde fui encontrando pessoas que hoje são mais do que apenas pessoas conhecidas, são amigas que guardo no coração.

Quando comecei o Varal não havia atividade literária brasileira aqui na Suíça e as atividades literárias brasileiras pela Europa eram escassas, raras mesmo poderia se dizer. E não existia uma revista e nem uma proposta parecida com o que Varal chegava trazendo. Num período de praticamente sete anos fui pioneira em tantas iniciativas e projetos nesta área que confesso, se não ouvisse de outras pessoas o que ouço, custaria a acreditar que fiz mesmo tudo isto. Realizar uma revista que valorizasse a literatura e ao mesmo tempo abrisse espaço com igualdade e amizade, para todos sem exceção, nunca foi simples. Levar um estande brasileiro ao Salão do Livro de Genebra, um dos salões mais sofisticados e intelectuais da Europa? Praticamente impensável! Mas fui lá e não pedi licença. Apenas mostrei que sim, tínhamos o que apresentar e não era “oba-oba“. Fazer seis antologias de qualidade, com bons textos, boa edição, capas fantásticas unindo artistas plásticos aos escritores… Um concurso literário internacional como o Prêmio Varal do Brasil de Literatura, que premiou não somente brasileiros, mas também autores de outras nacionalidades, sempre escrevendo em Português… Tudo foi excepcional, grande, tão precioso para meu coração! Deu trabalho? Deu sim gente, ô seu deu…. Mas valeu tanto a pena! Vejam as fotos e vocês me darão razão!

O tempo passou, multiplicaram-se os acontecimentos, os eventos, os livros… E cá estou eu aqui hoje para colocar em tudo isto um ponto final. Iniciei e finalizo as atividades do Varal do mesmo jeito que elas sempre foram realizadas: sozinha. Me perguntaram tantas vezes (e me perguntam ainda) sobre minha equipe, quantos eram, quem fazia o quê, de de onde eram… Os votos de Feliz Natal vinham para mim, extensivos aos membros da equipe! Falo para vocês que minha filha bem que tentou me fazer “criar” uma secretária para ao menos dar uma “boa impressão”… A impressão que a equipe existia…

Mas não havia mais ninguém. Meu sonho sempre foi muito particular e, no fim das contas, trabalhar meio solitária, com muita música para ouvir e meu cachorrinho do lado, é algo que aprecio realmente. Não chamo isto de solidão, mas de momentos bem vividos, de trabalho feito por vocação e carinho. Mas sim, fica então aqui registrado, nesta despedida, que o VARAL DO BRASIL sempre foi apenas eu mesma, sem equipe. Vocês conhecem aquele “homem-orquestra” que toca pelas ruas em alguns lugares pelo mundo e algumas vezes faz shows por aí? Pois é, eis o que fui para o Varal do Brasil. Com muita vontade, força e alegria, respondi milhares de e-mails e nunca deixei sem respostas as muitas mensagens recebidas no site, no blog e pelas redes sociais. Li, analisei, revisei milhares de textos de todos os gêneros. Li e divulguei centenas de livros. Distribuí pelas praças, aviões e aeroportos, festivais e parques, dezenas de livros! Doações? Entre o Brasil e a Suíça foram doados até a data que estou fechando as portas, milhares de exemplares. Há bibliotecas em Português que tiveram um aumento considerável em seus acervos lusófonos graças a estas doações. Outras foram criadas por causa das doações! Mais de sessenta números da revista circularam e circulam pelos cinco continentes, levando literatura lusófona da forma mais descontraída possível (realmente sem frescuras, colocando lado a lado escritores sem comparação alguma entre eles) a pessoas que não tinham acesso a ela antes que nosso Varal fosse pendurado pelos céus literários. Fui aos poucos aprendendo a lidar com os softwares necessários para a edição de textos, de fotografia e etc… Horas sem contar com pesquisas, leituras, escolhas de capa, ilustrações individuais para cada texto…. Enfim, com dedicação e todo o amor que sempre tive pela literatura e pelas pessoas com ela envolvidas. Viajei muito, montei e desmontei estandes (com a ajuda fiel e preciosa do Paulo), carreguei muitas malas e caixas de livros por aqui e pelo Brasil! Derrubei caixa de livros sobre os pés, chorei de cansaço, gritei inúmeras vezes que não faria mais nada. Mas continuei, sempre por amor, livros embaixo dos braços e muito boa vontade no coração. Enfim, fui à luta pela literatura sem frescuras tão cara à minha vida!

Sempre tive o apoio do Paulo e dos meus filhos, que tantas vezes me esclareciam, abriam os olhos, me faziam críticas necessárias e construtivas e foram meu braço direito durante os dias de Salão do Livro aqui em Genebra. Minha filha sempre prática e certeira; meu filho, artista na alma, dando ideias que só poderiam vir de alguém talentoso como ele. Ao Paulo, companheiro incansável do cotidiano e das lutas do Varal,  serei eternamente grata por tudo o que representou para mim enquanto Varal do Brasil, investindo seu tempo no Salão e outros eventos e, não poderia deixar de dizer, investindo financeiramente de forma massiva para que as antologias e o estande em Genebra pudessem se realizar. E para que a revista fosse sempre gratuita como o será até seu último número. E não vou esquecer que até uma livraria tentei fazer aqui, sem muito sucesso, tendo em vista a dificuldade de encontrar aqui em Genebra o público alvo necessário. Mas tentei.

Tenho que agradecer de todo o coração os colaboradores da revista, alguns desde o primeiro número, fiéis escudeiros que me acompanham há anos e que foram, sem dúvida alguma, as sementes e os frutos sem os quais não haveria a revista! Não citarei nomes para não deixar algum de lado, pois foram mais de mil pessoas que passaram pelo Varal no seu conjunto de atividades. Porém,  saibam, não esqueço o nome de vocês porque sei, “de cor e salteado” como se chama todo aquele e toda aquela que já participou de algo que tenha feito com o Varal do Brasil! Conheço todos, sem exceção e sou fã!

Agradeço também, com o coração, a todos os leitores amigos, sinceros, críticos, elogiosos, pessoas que foram fundamentais para a existência da revista! Graças aos leitores, a repercussão do Varal do Brasil sempre foi grande, cada edição indo mais longe que anterior. Agradeço particularmente aqueles que disponibilizaram a revista em seus sites e blogs, compartilharam por e-mail e nas redes sociais. Agradeço também, coração na mão, aos que levaram a revista à imprensa, escreveram notas, artigos, etc. Vocês todos são mil!

E um agradecimento especial que não poderia deixar de estar aqui, para as meninas mais queridas do mundo, inteligentes, belas e muito competentes, que nos ajudaram nas duas últimas edições do Salão do Livro de Genebra, sendo mais do que colaboradoras, membros da família, com certeza. São elas Catarina Mastellaro e Erica Rabbeljee. Com simpatia e inteligência articularam o estande, atenderam os visitantes e os escritores e, cá entre nós, graças a elas tive momentos de muita, muita alegria durante e até mesmo depois de terminado o evento! Obrigada queridas!

O VARAL DO BRASIL uniu pessoas pelo mundo. (Sim, eu sei, acabei de dizer que o Varal sou “eu sozinha” e depois escrevo desta forma… Pois é, e eu mesma já me acostumei a falar de mim na terceira pessoa me chamando de Varal. Cansei de ir a lugares onde as pessoas se dirigiam a mim como: “Ah, você que é o Varal? ” E eu, muito naturalmente, respondia sim…!) Minha mãe diria que é para isto que nasci, “para juntar as pessoas”, mesmo as mais diferentes! Ela me dizia isto lá na infância, depois repetiu na juventude e na idade adulta, ao me ver reunir os amigos, que geralmente pertenciam a turmas distintas e se reencontravam através de mim. Devo ser mesmo de natureza agregadora, pois faço isto naturalmente e me sinto tão feliz!

Através… Sim, através dos eventos, das antologias e da própria revista, as pessoas foram se unindo, reunindo, fazendo amizade umas com as outras, criando projetos juntas, concretizando planos, criando e desenvolvendo coisas nas quais me sinto incluída e muitas das quais me orgulho. Este é o maior legado que estou deixando ao encerrar o Varal: um traço forte de união e amizade que permanecerá além do que fiz, aliado a um conjunto de realizações que seguem levando a literatura lusófona adiante aqui no exterior.

Para encerrar de forma definitiva minhas atividades, farei uma edição da revista. Escolhi o tema PÁGINAS DE SANGUE, Vozes contra a violência e este número, que sairá em meados de setembro, será o último da revista VARAL DO BRASIL. Deixarei abertas asinscrições até o dia 25 de agosto para que quem desejar participar desta última edição ainda tenha tempo de fazê-lo. (Fica aqui registrado que não serão realizadas as demais edições previstas). * Esta edição não foi realizada devido a um AVC que tive menos de um mês após ter escrito esta despedida e encerrado as atividades.

Como eu disse no início, saber o momento exato para algo é de uma impossibilidade que até os céus hão de concordar! Mas na verdade, não é preciso saber. É preciso sentir. Sentir na alma, no coração. E quando se tem este sentimento, não há dúvida, é a hora.

Bem, chegou minha hora de parar. A “mulher-orquestra” do Varal encerra suas atividades feliz com tudo o que realizou, realizada com tudo o que foi cumprido e que nunca foi um dever ou uma obrigação. Teve com ela músicos de excelente qualidade que, de tantos lugares, vieram e tocaram junto. Despedidas duras se fizeram (Saudades da Renata e da Sáskia que partiram!) assim como se solidificaram amizades, aqui, no Brasil e em muitos países.

Agradeço a todos os que participaram dos eventos e da revista, que enviaram textos, que me alegraram com suas mensagens e papos, com seus sorrisos, gargalhadas, incentivos, dicas, comentários. Agradeço aos que me enviaram críticas importantes que me fizeram crescer, ser uma pessoa melhor e fazer melhor o meu trabalho. Agradeço a todos os que tentaram me prejudicar, pois estes últimos foram o mal necessário para que meus olhos se abrissem mais e meus pés permanecessem no chão.

Todos são parte daquilo que que sinto na alma: Houve uma vitória! Vejo isto ao ver o que se tornou o Varal hoje, estendido entre os continentes, balançando com o vento da vida enquanto tem em seus cordões milhares de textos pendurados!

Enfim, chegou a hora de fechar as cortinas. Em setembro, quando a edição for distribuída, será o final deste projeto de literatura sem frescuras que conquistou tantos poetas, tantos escritores, tantas inspirações. Mas não será o fim das amizades…. Nos veremos por aí, porque a revista Varal se encerrará, mas a vida continua!

Abraço amigo, com carinho, Jacqueline (Varal do Brasil)

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CONVITE PARA LEITURA

Acaba de sair a nova revista VARAL DO BRASIL, edição no. 42 de julho!

A revista literária/ caderno literário VARAL DO BRASIL traz nesta edição tema livre com muita poesia, contos, crônicas e artigos de autores diversos.

Para ler clique aqui: REVISTA VARAL DOBRASIL

Se você ainda não conhece a revista, convido a visitar o site do VARAL, onde bimestralmente temos nossas edições (entre estas edições regulares muitas vezes há edições especiais temáticas).

Visite o site e saiba mais: VARAL DO BRASIL

 

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