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Escrevo na internet desde 2006. Tive um primeiro blog, intitulado Certas Linhas Tortas que ficou no ar até 2007. Numa manobra inesperada, acabei apagando todo o conteúdo e tive então que criar uma segunda versão, com o mesmo título, que está no ar desde 2007.
Com a chegada desta nova versão do site Coracional, estou transferindo para cá minhas postagens  e o blog Certas Linhas Tortas não será mais atualizado, mas permanecerá no ar como uma excelente lembrança dos momentos passados por lá.

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UM POUCO DE ESPERANÇA NO CAOS

Quando vivemos situações difíceis de suportar, vem à mente que há tantas coisas na vida que pensamos não suportar, mas suportamos, mesmo com dificuldade, suportamos. E, mais do que isto, vencemos.

Somos muito mais do que as palavras de reclamação que saem de dentro da gente. A rotina cansa? Férias longas também cansam! Calor demais é horrível? Frio também! A vida lá fora está desesperadora? Passamos por tanto antes, conseguiremos superar mais uma vez. Problemas de saúde não nos permitem sequer viver com um mínimo de normalidade? Comemoremos! Ainda está vivo e podemos tentar melhorar pelo menos alguma coisa!

Palavras são ditas e tentam nos ferir, humilhar, incomodar? Atos de instigação à violência e preconceito nos cercam como flechas envenenadas?Não deixemos que nos atinjam aqueles que, certamente, não sabem mais o que é dignidade ou amor próprio e se escondem sob a aba da covardia!

A vida parece um caos muitas vezes, o desespero bate… Certas coisas doem na gente como cortes de papel na pele ou até feridas profundas…

Mas pensemos no bem, nas razões da vida, nas certezas subentendidas do Universo: O mundo dá voltas e as voltas do mundo trazem os medicamentos mais inesperados para todos os males.

Falta tempo? O tempo é o mesmo todos os dias: 24 horas! Portanto, se nos organizarmos, ou mesmo se perdermos a obsessão “tempo“, cada dia será um dia diferente e, quem sabe, talvez bem melhor! Vivamos hoje. Vivamos bem. Ao menos tentemos. Alguém vai nos ver tentar, vai se inspirar mesmo sem nada dizer e vai tentar também. Tentativas serão somadas e, se muitos de nós tentarmos, nossa convivência amorosa será benéfica para todos.

O sistema social não mudará de imediato, a roda deste sistema é velha, enferrujada e corroída. Toda mudança leva tempo e a verdade é que, como a árvore que se planta, muitas vezes nem veremos os seus frutos!

Perdoemos os erros uns dos outros e os nossos. Tentemos ao menos. E sigamos em frente, porque acreditar que é possível ao invés de reclamar, afirmar boas coisas ao invés de confinar nossos pensamentos no luto da falta de esperança e lutar pelo que possa melhorar nossas vidas e a dos nossos próximos é o que fará a diferença.

Que possamos nos colocar no lugar do outro antes de criticar, de jogar a pedras, de acusar ou agir de forma irreversível. Que sejamos empáticos, caridosos no silêncio do amor verdadeiro e, mais do que tudo, que saibamos reconhecer e assumir nossas falhas para abrir espaço cada vez maior para o bem e o bom nesta sociedade tão carente de amor e paz.

Imagem de Carolina Heza

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ABRAÇO O MUNDO

Porque assim somos, seguimos tantas vezes numa rapidez destoada, passos que não respiram, garganta cerrada de quantas palavras trancadas no ventre.

O tempo passa, ele vai adiante sem se preocupar se a gente acompanha ou não. E um belo dia tentamos lhe alcançar sem conseguir.

Volto, faço a volta. Não há caminho de volta. Será que saberia voltar? Mas… e afinal, quem precisa mesmo voltar?

Viver sem molhar os pés, sem virar de ponta cabeça, sem se torcer e retorcer, sem a dor do tentei, mas não deu. Viver do erro apontado, do erro negado, do erro sabido, do erro maltrapilho que se alimenta do medo e não deixa mais nada acontecer naturalmente. Não é possível viver sem se deixar levar pela vida. Pela mão, de olhos abertos ou fechados, como criança ou aos trambolhões.

É preciso dizer que aquilo que a solidão melhor ensina é ter uma fobia louca da gente mesmo e de tudo o que nos pode ser possível alcançar e realizar durante as caminhadas, mesmo aquelas não programadas. O absurdo do medo que não tem nome, que suplica à insegurança instantes a mais para nos matar eficazmente.

É assim com o passo dado e o tombo vivido. O levantar, a dor, a vergonha e a tristeza. É assim também com a fala engolida, quando se tenta soltá-la e ela sai tímida, amedrontada por respostas não dadas ou gritos que enxovalham. Também assim é com o sorriso interiorizado, aterrorizado, que se mostra numa fotografia e nas ruas não tem a ousadia de se exibir.

Outros foram os dias de chuva, de cinza e de escuridão. Todos eles interiores, que nuvens no céu não são capazes de descolorir o dia a tal ponto. Nem a chuva estraga o caminho de quem sabe onde vai ou sonha para onde deseja ir.

Hoje, na manhã começada, uma paz sem precedentes, um convite interior trouxe-me para fora de mim outra vez. Tinha me perdido tão longamente em minhas profundezas que senti uma certa dificuldade em compreender aquela vontade tão simples.

Eu queria abraçar o mundo. Queria abraçar a paisagem inteira que me recebia. Eu queria e então abri os braços, envolvi o mundo num longo e prazeroso abraço até que me senti novamente parte dele.

Abracei o mundo! Nossa, fazia tempo! Fazia tanto tempo do último abraço, que me veio instantaneamente o espanto: … Eu não sabia mais do tamanho, da grandeza dos meus próprios braços!

Photo by @fuuj on @unsplash

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AMOR POR LIVROS

Palavras que retratam o que me faz ser eu. Livros eu li e livros eu escrevi. Livros troquei, doei, vendi, divulguei, carreguei nos braços como os tesouros que sempre foram pra mim. Hoje levo na bolsa uma biblioteca, meu querido amigo Kindle Oasis não me deixa na mão! Se já não posso mais ter nos braços o “peso” dos amados livros, tenho-os agora na biblioteca virtual. E ainda assim, a cada virar de página, sinto o aroma das folhas de papel, o farfalhar entre meus dedos a cantar a sublime canção das histórias lidas… Ler é vida e minha vida é ler. Não importa onde, não importa quando, importa apenas poder agradecer poder ler, agradecer quem escreve… A vida sempre será melhor com os livros como companheiros!

Texto escrito na foto: Silas Fonseca, montagem de Patchwork das Ideias

Blog Contos e crônicas

MÚSICAS NA CABEÇA E OUTRAS COISAS BOAS

Fazer o que se gosta é algo realmente muito bom, dá mais espaço para a boa vontade, libera a inspiração e deixa a gente com a liberdade de “ser” dentro do próprio trabalho, ou seja, existir plenamente.

E no dia a dia, nada mais gostoso do que trabalhar com música! Isto eu adoro. Das clássicas (amo Bach e violoncelo; as missas! ah como são lindas as músicas sacras!) passando pelas músicas que se inspiram na natureza (som do mar, sons de chuva, tempestade, etc.) até chegar ao jazz, pop, rock (delícia que é se abandonar ao som de uma guitarra)… Pouco importa. Sou realmente eclética e tudo depende do meu momento e também do que eu estiver fazendo. Mas escuto de tudo.

Há uma alegria inexplicada em combinar música e trabalho.

 

Imagem by rawpixel on Unsplash

 

 

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SABER O MOMENTO EXATO

Saber o momento exato para alguma coisa é algo muito difícil, se não for, mesmo, algo impossível. O momento exato de começar algo, de levar adiante e enfim, de parar. Eis o que talvez seja o mais difícil de tudo. Saber o momento de parar.

Hoje, a dois meses de completar sete anos de atividades, venho comunicar a todos os amigos que o VARAL DO BRASIL está encerrando suas atividades, nelas incluindo aqui a revista literária, motor do que se tornou o Varal para a comunidade literária lusófona internacional.

Pendurei o Varal  pela primeira vez em 2009 com o objetivo de fazer “literatura sem frescuras” num mundo literário avesso à simplicidade e aos escritores “iniciantes”. Considero que fui longe, bem mais do que poderia sequer imaginar. A revista, as antologias, os concursos literários, as participações dinâmicas no Salão Internacional do Livro de Genebra, os eventos aqui na Suíça e no Brasil… Tudo foi parte de um longo, frutuoso e feliz caminho, por onde fui encontrando pessoas que hoje são mais do que apenas pessoas conhecidas, são amigas que guardo no coração.

Quando comecei o Varal não havia atividade literária brasileira aqui na Suíça e as atividades literárias brasileiras pela Europa eram escassas, raras mesmo poderia se dizer. E não existia uma revista e nem uma proposta parecida com o que Varal chegava trazendo. Num período de praticamente sete anos fui pioneira em tantas iniciativas e projetos nesta área que confesso, se não ouvisse de outras pessoas o que ouço, custaria a acreditar que fiz mesmo tudo isto. Realizar uma revista que valorizasse a literatura e ao mesmo tempo abrisse espaço com igualdade e amizade, para todos sem exceção, nunca foi simples. Levar um estande brasileiro ao Salão do Livro de Genebra, um dos salões mais sofisticados e intelectuais da Europa? Praticamente impensável! Mas fui lá e não pedi licença. Apenas mostrei que sim, tínhamos o que apresentar e não era “oba-oba“. Fazer seis antologias de qualidade, com bons textos, boa edição, capas fantásticas unindo artistas plásticos aos escritores… Um concurso literário internacional como o Prêmio Varal do Brasil de Literatura, que premiou não somente brasileiros, mas também autores de outras nacionalidades, sempre escrevendo em Português… Tudo foi excepcional, grande, tão precioso para meu coração! Deu trabalho? Deu sim gente, ô seu deu…. Mas valeu tanto a pena! Vejam as fotos e vocês me darão razão!

O tempo passou, multiplicaram-se os acontecimentos, os eventos, os livros… E cá estou eu aqui hoje para colocar em tudo isto um ponto final. Iniciei e finalizo as atividades do Varal do mesmo jeito que elas sempre foram realizadas: sozinha. Me perguntaram tantas vezes (e me perguntam ainda) sobre minha equipe, quantos eram, quem fazia o quê, de de onde eram… Os votos de Feliz Natal vinham para mim, extensivos aos membros da equipe! Falo para vocês que minha filha bem que tentou me fazer “criar” uma secretária para ao menos dar uma “boa impressão”… A impressão que a equipe existia…

Mas não havia mais ninguém. Meu sonho sempre foi muito particular e, no fim das contas, trabalhar meio solitária, com muita música para ouvir e meu cachorrinho do lado, é algo que aprecio realmente. Não chamo isto de solidão, mas de momentos bem vividos, de trabalho feito por vocação e carinho. Mas sim, fica então aqui registrado, nesta despedida, que o VARAL DO BRASIL sempre foi apenas eu mesma, sem equipe. Vocês conhecem aquele “homem-orquestra” que toca pelas ruas em alguns lugares pelo mundo e algumas vezes faz shows por aí? Pois é, eis o que fui para o Varal do Brasil. Com muita vontade, força e alegria, respondi milhares de e-mails e nunca deixei sem respostas as muitas mensagens recebidas no site, no blog e pelas redes sociais. Li, analisei, revisei milhares de textos de todos os gêneros. Li e divulguei centenas de livros. Distribuí pelas praças, aviões e aeroportos, festivais e parques, dezenas de livros! Doações? Entre o Brasil e a Suíça foram doados até a data que estou fechando as portas, milhares de exemplares. Há bibliotecas em Português que tiveram um aumento considerável em seus acervos lusófonos graças a estas doações. Outras foram criadas por causa das doações! Mais de sessenta números da revista circularam e circulam pelos cinco continentes, levando literatura lusófona da forma mais descontraída possível (realmente sem frescuras, colocando lado a lado escritores sem comparação alguma entre eles) a pessoas que não tinham acesso a ela antes que nosso Varal fosse pendurado pelos céus literários. Fui aos poucos aprendendo a lidar com os softwares necessários para a edição de textos, de fotografia e etc… Horas sem contar com pesquisas, leituras, escolhas de capa, ilustrações individuais para cada texto…. Enfim, com dedicação e todo o amor que sempre tive pela literatura e pelas pessoas com ela envolvidas. Viajei muito, montei e desmontei estandes (com a ajuda fiel e preciosa do Paulo), carreguei muitas malas e caixas de livros por aqui e pelo Brasil! Derrubei caixa de livros sobre os pés, chorei de cansaço, gritei inúmeras vezes que não faria mais nada. Mas continuei, sempre por amor, livros embaixo dos braços e muito boa vontade no coração. Enfim, fui à luta pela literatura sem frescuras tão cara à minha vida!

Sempre tive o apoio do Paulo e dos meus filhos, que tantas vezes me esclareciam, abriam os olhos, me faziam críticas necessárias e construtivas e foram meu braço direito durante os dias de Salão do Livro aqui em Genebra. Minha filha sempre prática e certeira; meu filho, artista na alma, dando ideias que só poderiam vir de alguém talentoso como ele. Ao Paulo, companheiro incansável do cotidiano e das lutas do Varal,  serei eternamente grata por tudo o que representou para mim enquanto Varal do Brasil, investindo seu tempo no Salão e outros eventos e, não poderia deixar de dizer, investindo financeiramente de forma massiva para que as antologias e o estande em Genebra pudessem se realizar. E para que a revista fosse sempre gratuita como o será até seu último número. E não vou esquecer que até uma livraria tentei fazer aqui, sem muito sucesso, tendo em vista a dificuldade de encontrar aqui em Genebra o público alvo necessário. Mas tentei.

Tenho que agradecer de todo o coração os colaboradores da revista, alguns desde o primeiro número, fiéis escudeiros que me acompanham há anos e que foram, sem dúvida alguma, as sementes e os frutos sem os quais não haveria a revista! Não citarei nomes para não deixar algum de lado, pois foram mais de mil pessoas que passaram pelo Varal no seu conjunto de atividades. Porém,  saibam, não esqueço o nome de vocês porque sei, “de cor e salteado” como se chama todo aquele e toda aquela que já participou de algo que tenha feito com o Varal do Brasil! Conheço todos, sem exceção e sou fã!

Agradeço também, com o coração, a todos os leitores amigos, sinceros, críticos, elogiosos, pessoas que foram fundamentais para a existência da revista! Graças aos leitores, a repercussão do Varal do Brasil sempre foi grande, cada edição indo mais longe que anterior. Agradeço particularmente aqueles que disponibilizaram a revista em seus sites e blogs, compartilharam por e-mail e nas redes sociais. Agradeço também, coração na mão, aos que levaram a revista à imprensa, escreveram notas, artigos, etc. Vocês todos são mil!

E um agradecimento especial que não poderia deixar de estar aqui, para as meninas mais queridas do mundo, inteligentes, belas e muito competentes, que nos ajudaram nas duas últimas edições do Salão do Livro de Genebra, sendo mais do que colaboradoras, membros da família, com certeza. São elas Catarina Mastellaro e Erica Rabbeljee. Com simpatia e inteligência articularam o estande, atenderam os visitantes e os escritores e, cá entre nós, graças a elas tive momentos de muita, muita alegria durante e até mesmo depois de terminado o evento! Obrigada queridas!

O VARAL DO BRASIL uniu pessoas pelo mundo. (Sim, eu sei, acabei de dizer que o Varal sou “eu sozinha” e depois escrevo desta forma… Pois é, e eu mesma já me acostumei a falar de mim na terceira pessoa me chamando de Varal. Cansei de ir a lugares onde as pessoas se dirigiam a mim como: “Ah, você que é o Varal? ” E eu, muito naturalmente, respondia sim…!) Minha mãe diria que é para isto que nasci, “para juntar as pessoas”, mesmo as mais diferentes! Ela me dizia isto lá na infância, depois repetiu na juventude e na idade adulta, ao me ver reunir os amigos, que geralmente pertenciam a turmas distintas e se reencontravam através de mim. Devo ser mesmo de natureza agregadora, pois faço isto naturalmente e me sinto tão feliz!

Através… Sim, através dos eventos, das antologias e da própria revista, as pessoas foram se unindo, reunindo, fazendo amizade umas com as outras, criando projetos juntas, concretizando planos, criando e desenvolvendo coisas nas quais me sinto incluída e muitas das quais me orgulho. Este é o maior legado que estou deixando ao encerrar o Varal: um traço forte de união e amizade que permanecerá além do que fiz, aliado a um conjunto de realizações que seguem levando a literatura lusófona adiante aqui no exterior.

Para encerrar de forma definitiva minhas atividades, farei uma edição da revista. Escolhi o tema PÁGINAS DE SANGUE, Vozes contra a violência e este número, que sairá em meados de setembro, será o último da revista VARAL DO BRASIL. Deixarei abertas asinscrições até o dia 25 de agosto para que quem desejar participar desta última edição ainda tenha tempo de fazê-lo. (Fica aqui registrado que não serão realizadas as demais edições previstas). * Esta edição não foi realizada devido a um AVC que tive menos de um mês após ter escrito esta despedida e encerrado as atividades.

Como eu disse no início, saber o momento exato para algo é de uma impossibilidade que até os céus hão de concordar! Mas na verdade, não é preciso saber. É preciso sentir. Sentir na alma, no coração. E quando se tem este sentimento, não há dúvida, é a hora.

Bem, chegou minha hora de parar. A “mulher-orquestra” do Varal encerra suas atividades feliz com tudo o que realizou, realizada com tudo o que foi cumprido e que nunca foi um dever ou uma obrigação. Teve com ela músicos de excelente qualidade que, de tantos lugares, vieram e tocaram junto. Despedidas duras se fizeram (Saudades da Renata e da Sáskia que partiram!) assim como se solidificaram amizades, aqui, no Brasil e em muitos países.

Agradeço a todos os que participaram dos eventos e da revista, que enviaram textos, que me alegraram com suas mensagens e papos, com seus sorrisos, gargalhadas, incentivos, dicas, comentários. Agradeço aos que me enviaram críticas importantes que me fizeram crescer, ser uma pessoa melhor e fazer melhor o meu trabalho. Agradeço a todos os que tentaram me prejudicar, pois estes últimos foram o mal necessário para que meus olhos se abrissem mais e meus pés permanecessem no chão.

Todos são parte daquilo que que sinto na alma: Houve uma vitória! Vejo isto ao ver o que se tornou o Varal hoje, estendido entre os continentes, balançando com o vento da vida enquanto tem em seus cordões milhares de textos pendurados!

Enfim, chegou a hora de fechar as cortinas. Em setembro, quando a edição for distribuída, será o final deste projeto de literatura sem frescuras que conquistou tantos poetas, tantos escritores, tantas inspirações. Mas não será o fim das amizades…. Nos veremos por aí, porque a revista Varal se encerrará, mas a vida continua!

Abraço amigo, com carinho, Jacqueline (Varal do Brasil)

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CONVITE PARA LEITURA

Acaba de sair a nova revista VARAL DO BRASIL, edição no. 42 de julho!

A revista literária/ caderno literário VARAL DO BRASIL traz nesta edição tema livre com muita poesia, contos, crônicas e artigos de autores diversos.

Para ler clique aqui: REVISTA VARAL DOBRASIL

Se você ainda não conhece a revista, convido a visitar o site do VARAL, onde bimestralmente temos nossas edições (entre estas edições regulares muitas vezes há edições especiais temáticas).

Visite o site e saiba mais: VARAL DO BRASIL

 

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SIM, EU AINDA ESTOU FALANDO DO MESMO ASSUNTO, PORQUE ISTO NÃO É ASSUNTO PARA SE ESQUECER!

Explicação rápida para as mulheres que andam comentando que a menina “só poderia estar em baile funk” ou “vai saber se já não estava fazendo festa”.
Falo do caso horripilante que aconteceu no Rio, mas serve igualmente para a menina lá do Piauí, que foi estuprada selvagemente também.
Sim, eu li estes dois comentários (com palavras praticamente idênticas). Prefiro omitir onde li porque não quero bate-boca, quero clareza, verdade e justiça!

VÍTIMA: Garota que sofreu a agressão. A vítima, indefesa, foi agredida, massacrada, violentada, exposta, corre risco de doenças graves e até de uma gravidez completamente indesejada a partir de múltiplas penetrações de trinta e três sujeitos adultos que riram do que fizeram!!!! A tortura física e e psicológica a qual foi submetida deixará marcas na menina para sempre. Nunca mais esta pessoa poderá esquecer o que passou.

CULPADO (s): Agressor (es, porque foram TRINTA E TRÊS HOMENS ADULTOS) que agrediram, massacraram, violentaram penetrando sem piedade, sujaram o corpo e o coração da menina e expuseram a vítima a um sofrimento insuportável físico e psicológico do qual ela muito provavelmente não será capaz de se recuperar.

A VÍTIMA jamais deve ser confundida com o CULPADO. Porque CULPADO é e sempre será O AGRESSOR, O ESTUPRADOR. 
A vítima é inocente SEMPRE, pouco importa o que vestia, o que fazia ou onde se encontrava. Ela precisa e deve contar com todo apoio que a família, os amigos e a sociedade puderem dar.

O (s) CULPADO (S) (AGRESSORES) devem ser caçados, castigados e, se for possível, presos.

Mulher que culpa a outra mulher (ou menina) pelo ESTUPRO torna-se TÃO CULPADA quanto os AGRESSORES e devem ser expostas.

MULHERES E HOMENS DE BEM, POR FAVOR: PONHAM ESTES APOIADORES DE CULPADOS NOS SEUS DEVIDOS LUGARES! 
NÃO OS PERMITA FALAR MAL DAS VERDADEIRAS VÍTIMAS!

HOMENS DE BEM: NÃO CURTAM, NÃO ASSISTAM, NÃO REPASSEM FOTOS E VÍDEOS DE ESTUPRO!

POR LEIS MAIS RÍGIDAS E RÁPIDAS, QUE DEFENDAM A VÍTIMA E CONDENEM OS AGRESSORES.

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CONVITE PARA LEITURA: REVISTA VARAL SOBRE A MULHER

Os fatos recentes de estupro coletivo, ou traduzindo a expressão, de barbárie, de selvageria, de covardia, me levaram a pensar na pesquisa que realizei para a edição de março da revista Varal do Brasil e onde fiquei pasma de encontrar um sem número de homens e mulheres que preferem condenar a mulher (desde crianças, até adolescentes e adultas) pelo estupro e livram os homens (??) da culpa sem constrangimento. Além disto, a falta de justiça já é de praxe. Recomendo a leitura, há reflexões que devem ser feitas e refeitas. Abaixo o link para a revista e meu editorial.

https://issuu.com/jacquelinebulosaisenman/…/varal_40_marco/1

EDITORIAL DA EDIÇÃO DE MARÇO DA REVIST VARAL DO BRASIL DEDICADA À MULHER

Pela quinquagésima oitava vez estendemos o Varal para mostrar a literatura de Língua Portuguesa. São 58 edições de nossa revista, entre as edições regulares e as especiais, todas trazendo os mais diversificados temas.
Foi como edição especial que fizemos pela primeira vez, em março de 2011, uma revista falando inteiramente da mulher. Depois disto, incorporamos o tema ao nosso mundo literário e, anualmente, fazemos a edição de março tratando unicamente do universo feminino.
Compreendo que muita gente pense que não há motivos para esta importância toda e que nós como seres humanos somos todos iguais e merecemos a mesma atenção. Pois é. Concordo e discordo. Concordo que somos todos humanos e que devemos, sim, receber todos a mesma atenção, consideração e tratamento. Mas discordo quando vejo que, em muitos lugares e em muitas situações, a mulher não é tratada como igual, sequer é tratada como ser humano.
Há uma falta de respeito muito grande pelo ser feminino. A mulher tem dificuldades imensas em ser vista com igualdade de direitos no trabalho, no meio social e até mesmo dentro de casa. Coisa que acontece não somente em países que têm isto como tradição e que mantém esta diferença cultural nos dias de hoje de forma totalmente natural. Nestes países, todos sabemos que a diferença entre o homem e a mulher é um abismo que atinge proporções incomensuráveis. Em certas comunidades a cultura da superioridade masculina é tão importante que a mulher é reduzida a um simples acessório e utilizada como tal sem que nenhuma consideração lhe seja devida. Algumas religiões contribuem para este fator de diferença quando designam a mulher como inferior ao homem. Mas é o ser humano que em geral interpreta mal os dizeres religiosos e acaba cometendo atos inomináveis em seu nome.
Há também nas sociedades mais modernas e ditas mais desenvolvidas, uma falta de respeito muito grande pelos direitos femininos ao ponto desta desigualdade gerar sérios problemas que a mulher deve enfrentar desde a mais tenra idade e nos mais diversos universos de sua existência. A mulher não tem o direito de decidir, em muitos países (inclusive em alguns considerados mais desenvolvidos!), o que fazer com o seu próprio corpo. Deve prestar contas à sociedade de suas decisões em relação ao que deseja ou não fazer com seu corpo. É cobrada, taxada, mutilada psicologicamente. Em muitos lugares, é inclusive mutilada fisicamente. E com tudo isto, muitas mulheres morrem, diariamente, principalmente as que possuem poucos recursos financeiros.
Sobre o corpo, a mulher também tem, nestas mesmas sociedades, que observar com atenção como se veste. Porque a mulher é, ainda na atualidade, julgada pela maneira como usa suas roupas. As mais ousadas, mais curtas, decotadas, ou que definam suas formas, são consideradas “convites” para o assédio masculino. Uma mulher, para ser considerada “séria”, deverá vestir-se “de acordo” com as regras sociais exigidas. Simplificando: “tapando” o máximo possível o seu corpo.
Parece brincadeira, mas em termos de atitude feminina então, teríamos uma dissertação a fazer. Mulher que se impõe por direitos iguais é considerada “não feminina” e inacreditavelmente a mulher que debate socialmente certos assuntos, é muitas vezes menosprezada e criticada. Porque ainda existem temas que são considerados “masculinos”. É também requisito para a feminilidade, que a mulher seja o mais submissa possível ao homem. E há homens que separam mulheres em categorias: as que “são para casar” e as que são para “uso sexual”. E isto sem a menor cerimônia. Porque foram educados para serem assim e hoje não conseguem enxergar que isto é um absurdo sem tamanho.
Reforçando o assunto, o assédio sexual que ainda é imenso, do mais disfarçado ao mais escancarado, acontece diariamente na rua, no trabalho, em festas, em qualquer lugar. Desde meninas, mulheres costumam ouvir o que não deveriam ouvir nunca: palavras de cunho sexual e pejorativas lhes são dirigidas; piadinhas de mau gosto com referências sexuais e “elogios” extremamente duvidosos. Fatos que acontecem na escola, entre amigos e inclusive em casa. Muito de tudo isto é considerado apenas como “natural”: “bobagem de menino”, “elogio”, “coisa de homem”, etc… As famosas “cantadas” de baixo calão, tão “normais”!
Mulheres são batidas; são violentadas de maneira cruel (física e psicologicamente). São apedrejadas, chicoteadas, presas, condenadas à morte, obrigadas a casamentos contra vontade e tantos outros atos cruéis que passam, de forma praticamente invisível, diante dos olhos de certas sociedades que raramente se erguem em defesa da mulher. E quando mulheres se unem e vão às ruas ou criam meios virtuais para lutar contra as crueldades a que são submetidas, são imediatamente chamadas de “mal-amadas”, “só podem ser feias” e tantas outras expressões negativas e ofensivas.
Meninas são criadas desde pequenas para serem futuramente boas esposas, enfeites que devem embelezar a casa e agradar ao marido. Século passado? Não, hoje! Meninos são criados para casar apenas com “mulher séria”, para sustentar a casa e a família! Século passado? Não, hoje! Esta distinção clara e errada, é um fato que persiste em muitas famílias.
A mulher (hoje!) que decide não se casar, é quase uma afronta social. Sua decisão é questionada, como se casar fosse uma obrigação, um destino irrefutável! E será pior ainda para aquela que decidir não ter filhos. O fato de uma mulher não querer ser mãe é algo que assusta a sociedade convencional.
O mundo do trabalho também é um dos que se nega a tratar com igualdade homens e mulheres, negando a estas últimas o direito de ter salários iguais quando exercem as mesmas funções.
Entrando num tema bastante debatido e recentemente ocorrido: No início do ano o programa Big Brother Brasil levou para diante das cortinas, mesmo que contra a vontade, um assunto que incomoda: a pedofilia. Um dos participantes, de 53 anos, foi acusado e apontado do dedo por ter afirmado, no programa que foi ao ar em rede nacional e aberta, gostar de “meninas mais jovens” e de “facilitar” o contato com bebidas alcoólicas. Tudo foi amplamente discutido nas redes sociais gerando milhares de comentários de homens e mulheres que se posicionavam contra ou a favor do dito candidato.
O tema pedofilia, que não atinge apenas meninas, mas também meninos, é tabu mesmo nos dias de hoje e é um assunto aterrador. Muito me espantou ver a quantidade de gente (e pasmem, principalmente mulheres!) que defenderam com unhas e dentes os homens nesta situação. Os comentários realizados pelas mulheres, bem mais sarcásticos, diziam “não ver problema algum em um homem bem mais velho gostar de novinhas”; “estas meninas fogosas que só querem isto mesmo”; “são todas umas piranhas”; “a idade do homem não conta num relacionamento”; “são elas que provocam” e muito mais!
Espantoso de perceber que as próprias mulheres se negam a ver o óbvio em frente delas que é o fato que meninas e adolescentes não têm maturidade alguma para viver certos tipos de relações, mesmo quando elas mesmas têm certeza que têm e se imaginam adultas.
Uma reportagem, realizada por uma jornalista brasileira, mostrou que, para espanto geral dos que se preocupam com a situação das menores de idade, no Brasil um número alarmante de meninas entre dez e dezessete anos já se casou e tem um ou mais filhos.
E neste caso, a reportagem que também gerou muitos comentários em redes sociais, mostrou a dura indiferença feminina em relação a estas crianças que, por força da vida e abandono social, abdicam da infância em troca de segurança financeira ou emocional. Os dizeres das mulheres, apoiando os homens e acusando as meninas, são assustadores e fazem pensar seriamente como a insensibilidade pode ser grande. Mulheres machistas não são novidade em nossa sociedade, mas saber que, seja lá porque motivo for, elas defendem algo tão criminoso quanto a pedofilia, é realmente angustiante e desolador. Mais ainda porque sabemos que há toda uma cultura social que protege a pedofilia e mulheres têm um grande papel nesta proteção, quando permanecem do lado masculino, defendendo o homem e acusando crianças de serem “sedutoras” ou “prostitutas”.
A falta de educação contribui para que estas situações perdurem, mas a falta de interesse em ajudar também é flagrante quando percebe-se que até mesmo o turismo sexual é favorecido e enfatizado através dos meios de comunicação. Tomem como exemplo a Globeleza que explora escancaradamente a mulher negra, exibindo sua nudez ao convidar para o carnaval, festa onde sabemos que, infelizmente, acontecem inúmeras violências sexuais contra mulheres de todas as idades.
Mesmo com estes fatos negativos, as conquistas femininas realizadas por mulheres fortes e que acreditaram em si mesmas e em suas semelhantes, foram muitas ao longo dos anos e trouxeram à luz problemas que precisam ser debatidos e leis que precisam ser revistas. O mundo necessita de todos, mulheres e homens, mas precisa, sobretudo que todos sejam tratados de forma igual, com igual respeito e direitos, independentemente de sexo, orientação sexual, raça, religião ou qualquer outro fator que possa entrar em questão.
Falando desta edição, não poderia ser mais grata a todos vocês que enviaram textos. Estamos aqui com um número recorde de páginas, que espero, vá alegrar a todos proporcionando uma excelente leitura. São textos de todos os gêneros e estilos, de pessoas que soltaram seus pensamentos, fizeram odes, contaram histórias, relataram a vida de algumas personalidades femininas.
E trazemos também uma novidade: tirinhas fantásticas realizadas por Cibele Santos e Camila Thomazini. Elas já conquistaram a Web com a página Mulher de 30 no Facebook onde diariamente postam as aventuras femininas das mulheres de 30. Mas vocês vão perceber, leitoras, que não importa a idade, todas nós podemos nos identificar com as aventuras e desventuras contadas nas tirinhas muito alegres e inteligentes. E os leitores masculinos com certeza reconhecerão nelas as mulheres de suas vidas!
Temos aqui textos maravilhosos: tomem fôlego, tomem tempo, preparem um cantinho especial para leitura: esta edição vai conquistar seus corações e abrir seus olhos para muitos fatos!
Gostaria de mais uma vez agradecer a todos, leitores, escritores, colaboradores. O Varal do Brasil se estende mais uma vez graças a vocês e para vocês! Até a próxima!

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CONVITE PARA LEITURA: REVISTA VARAL DO BRASIL!

REVISTA VARAL DO BRASIL 41B –  O LADO ESCURO DO SER

 

Olá amiga, olá amigo!

Chegamos até você com mais uma edição especial da revista Varal do Brasil.

(Atenção escritor participante: Verifique ao ler: Pode ter sido publicado mais de um texto seu!)

Esta edição, intitulada O Lado Escuro do Ser, traz mais de duzentas páginas de textos escritos com força, paixão e verdades. Prepare-se para uma leitura instigante!

As partes que formam o todo não são sempre visíveis. Algumas são imperceptíveis até para olhos mais atentos. É que os seres humanos não foram feitos para ser vistos em sua integralidade, há neles algo de angelical ou de diabólico que só pode ser visto ou percebido em ocasiões raras, por olhos desprovidos de opiniões construídas pela vida. Nestes momentos de clareza, quando o ser dá à visão alheia o que de mais velado lhe constrói, costuma surgir naquele que o enxerga, o julgamento, a crítica, o medo. Tanto faz se foi o lado divino que mostrou seu brilho tal estrela, ou se foi o lado obscuro que surgiu de onde nem se esperava… Sempre haverá uma voz que a erguer-se em repressão, um dedo a apontar… E dificilmente um ouvido ou uma palavra de afago. Todo ser humano, mesmo que negue, tem nele a luz e a escuridão. Mas ele sempre verá sua própria resplandecência e negará sua escuridade. (Jacqueline Aisenman)

Esperamos que você aprecie a leitura! Querendo escrever também, sinta-se bem-vindo (a)! Veja no site do Varal do Brasil as datas e temas para inscrições nas próximas edições!

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Voltaremos em julho com o número 42!

Até breve!