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Escrevo na internet desde 2006. Tive um primeiro blog, intitulado Certas Linhas Tortas que ficou no ar até 2007. Numa manobra inesperada, acabei apagando todo o conteúdo e tive então que criar uma segunda versão, com o mesmo título, que está no ar desde 2007.
Com a chegada desta nova versão do site Coracional, estou transferindo para cá minhas postagens  e o blog Certas Linhas Tortas não será mais atualizado, mas permanecerá no ar como uma excelente lembrança dos momentos passados por lá.

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O REAL RESISTE – ARNALDO ANTUNES

Direção & Edição: Fred Siewerdt

Co-Direção: Marcia Xavier

Imagens: Mídia Ninja

Voz: Arnaldo Antunes

Violão de Nylon: Cézar Mendes

Baixo, Guitarra e Violão de 12 cordas: Dadi Carvalho

Piano: Daniel Jobim

Violão de Aço: Chico Salem

Produzido por Arnaldo Antunes e Gabriel Leite

Edições e Mixagem: Gabriel Leite / Estúdio Casa da Lua Masterização: Mauricio Gargel Audio Mastering

Produção Executiva e Management: Caru Zilber / Libertà Arte Gravado no Estúdio Canto da Coruja, por Gabriel Leite, em Piracaia/SP em Julho de 2019.

Realização: Rosa Celeste

Autoritarismo não existe

Sectarismo não existe

Xenofobia não existe

Fanatismo não existe

Bruxa fantasma bicho papão

O real resiste

É só pesadelo, depois passa

Na fumaça de um rojão

É só ilusão, não, não

Deve ser ilusão, não não

É só ilusão, não, não

Só pode ser ilusão

Miliciano não existe

Torturador não existe

Fundamentalista não existe

Terraplanista não existe

Monstro vampiro assombração

O real resiste

É só pesadelo, depois passa

Múmia zumbi medo depressão

não, não, não, não não, não,

não, não não, não, não, não

não, não, não, não

Trabalho escravo não existe

Desmatamento não existe

Homofobia não existe

Extermínio não existe

Mula sem cabeça

demônio dragão

O real resiste

É só pesadelo, depois passa

Como o estrondo de um trovão

É só ilusão, não, não

Deve ser ilusão, não não

É só ilusão, não, não

Só pode ser ilusão

Esquadrão da morte não existe

Ku Klux Klan não existe

Neonazismo não existe

O inferno não existe

Tirania eleita pela multidão

O real resiste

É só pesadelo, depois passa

Lobisomem horror opressão

não, não, não, não não, não, não,

não não, não, não, não não,

não, não, não

Blog Contos e crônicas

BACURAU NA GENTE!

Finalmente aconteceu Bacurau na minha vida. Forte, pleno e rico. Pois é, tem coisas que só a arte pode fazer por nós. Porque muitas vezes não vemos direito, não entendemos direito, as coisas se embrulham, a gente tem aquela certeza da certeza que seria uma verdade.

Assisti Bacurau, precavida. É violento! É diferente! É… Lindo, Bacurau é lindo! Bacurau não é só um filme, é uma cura instantânea de desintoxicação para a mente plena de preconceitos subconscientes, uma dose forte de remédio contra a apatia de consciência e, acima de tudo, um bálsamo para a sofrida alma brasileira onde quer que ela esteja.

Em palavras mudas, gritos silenciados, o Nordeste que o Sul não vê e não quer saber. As alegorias (“Por que tão velho, tão nu?) que reverenciam a sabedoria da idade, a naturalidade de um povo. (Quer dormir comigo hoje? Tu não estás de luto? Não sou religiosa!). As dualidades da idade, do ser mulher, não ser, ser homem, não ser, de existir.

O Museu (o sangue, a história, o sangue, a memória, o sangue…). A Escola (livros no chão, crianças no chão, a vida no chão). A Igreja de portas fechadas (Eu queria ir na Igreja, mas a porta está fechada). Mas as portas da Igreja nunca fecham… A horta, a humildade, as balas voando, a felicidade, o enterro, os caixões vazios…

Há política e o político vem. Mas não é a política que não presta, é o ser humano, o “político” que se apropria do social e se vende por poder. Há a diversão, a festa, a dor, o sonho, a esperança… Há a luta.

Bacurau não se deixa morrer (É tarja preta. Inibe o humor. O Brasil inteiro está tomando. Eu não aconselho. Lixo).

Bacurau resiste. Resiste aos maus políticos, aos homens maus, às más intenções. Bacurau é resistência. Arte é resistência.

Acabei de assistir, e senti imediatamente o resultado profundo. Senti raiva do Brasil senti amor pelo Nordeste que não parece fazer parte desse mesmo Brasil, tão racista e arrogante.

E agora, enquanto escrevo, depois do massacre de Paraisópolis, das professoras apanhando nas ruas no Rio Grande do Sul, do senhor espancado até a morte em Santa Catarina, dos procuradores injustos do Paraná, sinto um choque de realidade que me faz ver que o genocídio que eu pensei que pudesse acontecer, já está acontecendo.

O Brasil está sendo vendido em peças separadas. O povo pobre, preto, sendo morto aos montes. Parte do povo assiste e aplaude. Há aquela parte Bacurau, que esbraveja, empurra, grita a verdade. Mas a grande, grande parte do povo, está ainda sob tarja preta.

Bacurau, finalmente, permaneceu no mapa. Mas o Brasil que conhecemos pode, a qualquer instante, desaparecer dele. Porque está ou anestesiado, ou doente de ódio.

Acorda, Brasil!

Voa, Bacurau! E se for, vá na paz!

Arte de Sarah Biegler (encontrei no Google, espero que a artista não se incomode com este empréstimo)

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POR QUE?

Não tenho respostas e as perguntas se acumulam. Queria entender, só que cada vez, num olhar para o lado, numa busca com os olhos, as situações escancaradamente bárbaras me dão unicamente vontade de me afastar ainda mais.

O fundamentalismo ideológico e religioso ganha terreno com o apoio tácito dos que, conscientemente, permitem a ampliação do fosso separatista na sociedade. Já não reconheço pessoas que toda uma vida estiveram na minha.

Eu, que cantei tantos anos “Sabiá” do Chico, a significância mesmo da esperança que me fazia viver… Minha voz se calou. O povo que usa viseiras e vilipendia um artista como Chico Buarque, que cospe num monumento como Fernanda Montenegro…

Este povo de verde e amarelo não sei quem é. Só sei que não faço parte dele. Aí, coração Ágatha, voz Marielle, olhar de meu pai, abro minha veia e deixo correr o sangue. Ele escorre, vermelho e forte. E em meio ao sangramento, choro feliz ao ouvir a esperança num ritmo de outro Chico, o César. Não tenho religião, não tenho partido, eu dizia.

Mas hoje, eu tenho: minha religião é a Igualdade e meu partido o Ser Humano. De resto, abandono. Quem não admitiu para si mesmo até agora o papel que teve e tem na descida aos infernos da ex-terra abençoada, esqueça-se! Esses não são os hipócritas, que já estão em número reduzido. Eles são simplesmente fascistas.

Arte de #danfarrell 

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POR QUE SABER DA VIDA E MORTE DE MARIELLE?

A resposta deveria óbvia para cada cidadão e cada cidadã que se imagina de bem (moral, psicológica e espiritualmente falando). Mas não é. Muitos se pensam do bem enquanto sequer conseguem sentir empatia pelo próximo. Se o próximo não for como acredita que seja “o melhor”.

Toda vida é importante e tem uma impressão única em sua passagem neste Planeta em que vivemos. E, como bem sabemos, se tantos passam em vão, outros atravessam os vãos e se destacam. É o caso de Marielle Franco.

Marielle, nascida Franco da Silva, mulher negra e bela chegou ao mundo em 27 de julho de 1979 na cidade do Rio de Janeiro e, numa conjuntura nada simples, num bairro onde as minorias são a maioria. Estudou, batalhou e diplomou-se em Ciências Sociais e Administração Pública. Jovem, decidida e de temperamento forte, dedicava-se com vigor às causas humanitárias, envolvendo os direitos civis fundamentais dos cidadãos de seu bairro (Complexo da Maré) e da cidade do Rio de Janeiro em geral.

Envolvente, forte de caráter, ela enfrentava os pesadelos diários dos moradores desfavorecidos: o tráfico de drogas, a luta pela sobrevivência social e, bem pior, por pior que pareça ser, as milícias formadas por policiais, ex-policiais e outros, envolvida em extorsões financeiras, sequestros e assassinatos. Encarava o problema, apontava o dedo para a ferida exposta, falava com todas as letras o que faziam, como faziam e o que causavam com suas ações.

Marielle Franco tornou-se Vereadora com seu lema Mudar é Possível, o qual ecoou fortemente no Rio de Janeiro. Com Marielle, o discurso humano vinha junto com as ações que traziam o seu natural comprometimento com a gente que ela acreditava poder ajudar.

Negra, inteligente, forte, casada com uma mulher, sensível, vibrante, Marielle se desenhava no horizonte como um raio de sol na luta social brasileira e já se percebia para ela uma carreira política nacional. Muitos viam naquela mulher de sorriso franco como seu nome, o chegar da representação, finalmente, do Feminino ao Poder. Marielle , mulher do povo como Lula, o homem do povo. Marielle da coragem para a luta, como Anita Garibaldi, a heroína dos dois mundos. Marielle plena de paixão pela vida como ela mesma.

Até o dia 14 de março de 2018, quando teve sua vida cortada repentinamente. Marielle foi fria e cruelmente assassinada por miliciano juntamente de seu motorista Anderson Pedro Gomes. Morte encomendada. Assassinato no pior estilo “gangsteriano“. Atravessados por balas, deixaram no local seus corpos plenos de sangue e o sangue de seus corpos lavando o chão sujo dos pés milicianos.

Enquanto Marielle deixava a vida ali, naquele carro, seus assassinos fugiam. Fugiria a partir daquele momento também a justiça, que não faria (como não faz até hoje, final de 2019), muitos esforços para finalizar com êxito a enquete sobre o crime, com a prisão definitiva dos assassinos e mandante (s) do crime.

Indignação e lágrimas tomaram o Rio de Janeiro, o Brasil, o mundo!

A mulher assassinada pelos covardes, se forte em vida, virou gigante depois de sua partida. Na verdade, ela partiu desta vida e nasceram fagulhas de Marielles pelo mundo todo. Em seu bairro, há Marielles crescendo nas meninas negras. Na sua cidade, Marielles resistem. Pelo país, Marielles seguem segurando às mãos umas das outras vão se erguendo. Pelo mundo, parques, ruas, tornam-se Marielles e Marielles negras, brancas, índias, pardas, azuis, vermelhas, verdes-esperança, surgem e enfrentam a violência diária. Resistem. Existem. Lutas sociais, arte, cultura, política, forças que se unem através dessas Marielles em busca de justiça para todas as Marielles que são mortas à bala, à facadas, estupradas. Morrem no corpo e morrem na alma.

Saber de Marielle, de sua vida e de sua morte, é essencial para conhecer o Brasil de antes e o atual, mas também para atravessar muros culturais que neste momento podem até parecer intransponíveis. Marielle pode ser uma ponte…

Marielle, desde que vi falando pela primeira vez (e isto depois de sua morte), me deixou encantada. Me doeu tanto ver seu sorriso, ouvir sua voz, compreender seus desejos lindos e saber que ela tinha sido calada por balas.

Peço licença à Mídia Ninja (jornalismo referência de resistência nestes tempos sombrios) para aqui colocar o link do vídeo que mais perfeitamente define Marielle. Espero que não se incomodem com minha singela homenagem. E deixo a você aqui a oportunidade de assistir e, quem sabe, ser mais um a compreender a importância de saber

QUEM MANDOU MATAR MARIELLE FRANCO!

Foto e Vídeo: Mídia Ninja

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FASCÍNIO

O fascínio dos sonhos nunca é o mesmo ao amanhecer. Quando os olhos se abrem e as imagens fogem para algum lugar lá dentro de nós, ficamos entre o desejo de fechá-los novamente e correr atrás do que estávamos vivendo e o impulso natural de erguer o corpo, já esquecendo, já tudo deixando para trás. Apenas, há sonhos que são persistentes e demonstram sua pertinácia voltando em outras noites…

Estes sonhos que renegam a nossa própria vontade e independem de nosso consentimento consciente, trazem como num filme cenas que podem ir e vir, personagens que vivem e revivem cenas, épocas que passeiam entre o ontem e o amanhã. Não são proféticos, não são patéticos, não são poéticos. São sonhos vivos. Em muitos instantes bem mais do que a própria vida despertada.

Nada de sonhos que vem de braços dados com interrogações. Ou dançando na mente como certas pinturas ditas de arte moderna… Nada de figurações anônimas…

Sonhos pertinentes. Sonhos frementes. Sonhos que nos fazem querer saber de que lado da vida afinal estamos… agora!

Photo by JR Korpa on Unsplash

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PROFUNDAS CLAUSTROFOBIAS

Não é muito simples tentar identificar emoções. Principalmente quando elas são boas. Geralmente é o caso de se dizer: se tá bom, fica quieto. Mas eu não sou assim. Tá bom é? Então eu preciso saber por que que tá “tão” bom… mesmo se eu reconheço que o efeito de certos navegadores é eficaz neste imenso oceano da vida…, mas eu sou assim… Preciso de razões justamente quando não deveria precisar.

De repente, nos últimos dias me pego rindo do fato de estar com uma dor danada. Ou falando da fadiga extrema que me toma com o maior sorriso nos lábios… estranho?

Estranho… bem estranho… O telefone toca e a minha vontade é de jogá-lo no lixo, assassinar a pessoa que está ligando, mas me levanto lentamente, olho o número, pego o aparelho e, lentamente, coloco-o dentro do armário. Gestos que não são meus. A raiva contida é. Os gestos não.

Começo a falar, a pensar, tudo se confunde… um amontoado de pensamentos. Sonhei, pensei, falei? Algumas coisas parecem se tornar mais racionais, outras completamente irracionais. Gasto a sola dos sapatos da razão tentando encontrar uma única dica… e vem a imagem que me apavora: um submarino! Eu estou fazendo a maior festa num submarino! Logo eu, que tenho horror de submarinos!

Por isto tudo está bem… agora começo a entender… a música (Tina Charles cantava agora há pouco Love me Like a Lover), as pessoas indo e vindo, os meus sorrisos, o humor meio deslocado e o comportamento mais que distante de mim… estou fazendo a maior festa dentro de um submarino!

 Lá fora, litros e litros de água (para evitar a pesada palavra toneladas) envolvem o submarino e dentro dele estou eu… (meu coração ritmado agora com Evelyn Thomas cantando Heartless…) completamente surreal.

A imagem me causa um pavor profundo. Me entrega a uma claustrofobia impossível de controlar ou disfarçar. Aqui das profundezas nem ouso gritar. De nada serviria. Dentro do submarino tudo é falso, meus gritos nem ecoariam nas paredes.

E o oceano imenso que está sobre mim é pesado demais, escuro demais, grande demais. Qualquer grito seria abafado.

Eis a grande diferença entre uma crise de pânico quando se está na beira na praia, com os pés na pontinha das ondas do mar… e uma crise de pânico quando se está submerso no oceano, tão submerso, que já não se sente mais os movimentos das águas… não se consegue mais sentir… não se consegue mais respirar… não se consegue mais…

(Texto de alguns anos atrás (2014, 2015?), baseado em um momento vivido em 2007 e que foi o gatilho para muitas coisas que vieram depois)

Photo by Nate Neelson on Unsplash

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ACIDEZ ESTOMACAL E FEBRE INCONTROLÁVEL

Nem sempre é simples. Na verdade não é simples nunca. Viver todas as vinte e quatro horas de cada dia com dor os sete dias da semana que somam os trinta ou trinta e um dias de cada mês não é coisa simples. Claro que há momentos em que se faz manobras para evitar que as dores se tornem mais vigorosas. Menos tenebrosas, vamos dizer. Momentos em que algumas dores adormecem, outras cochilam, mas outras ainda permanecem bem acordadas. São sim, vinte e quatro horas sentindo que o corpo padece. Padece das dores e de toda a medicação tomada para tentar acalmá-las.

E alma enfraquece assim? Enfraquece. Como o estômago que transborda sua acidez e as febres súbitas a superaquecer o organismo. Calor, frio, dores, uma agonia que tira a paciência, leva embora a alegria e mexe com o desejo profundo de existir.

Dentro desta conjuntura de anos a fio, a cronicidade agravando, havia a esperança, sempre, ao pensar e falar de meu ponto de amor mais profundo: meu país de nascimento, aquele que ousei emprestar o nome e colocar num varal de letras o qual, feliz, estendi pelo mundo. Aquele que foi meu orgulho e o que defendia com as unhas, os dentes e o ventre.

Mas agora… Como começar a dizer? Ou melhor, como terminar? Há mais de três anos venho sofrendo também da dor da perda lenta de meu próprio país. Vendo a gradativa falência dos órgãos do chão que meu deu raízes e estas raízes sendo arrancadas com o ódio e a força do egoísmo de uns poucos.

Um sofrimento que atualmente é gritante como minhas próprias dores físicas, já que meu país foi entregue e a destruição é tão grande, tão grande, mas tão grande, que o mundo já não grita por ele, apenas, e eu vejo e sinto isto com uma tristeza pesada, observa calado o abismo que o engole.

Pessoas cegas, tendo o fanatismo, a ganância e o ódio como viseiras, queimam florestas, assassinam índios, fauna e flora desaparecendo a olhos vistos. Todos os direitos trabalhistas esmigalhados, os direitos à saúde se esmorecendo a cada hora. O desrespeito e o racismo se tornando tão normais, chegando num ponto de não retorno. A educação sendo pisoteada e assim evitando que mais mentes possam crescer pensando e questionando. A cultura se tornando um caminho estreito ladeado por uma ideologia perigosa. A fome se agigantando outra vez, tomando o corpo dos infelizes.

Pobre Brasil! Pobre brasileiros que não desejaram colocar esses destruidores no poder e hoje sofrem as consequências brutais das decisões monstruosas tomadas por eles. Pobre Brasil! Tendo suas vísceras esmagadas por inomináveis seres que sequer fingem governar para o bem de todos.

Minhas raízes arrancadas, grito e esperneio sem parar. Meus gritos ecoam onde? Não sei. Talvez nem ecoem. Talvez meu sofrimento por ver meu país cair sem resistir me faça perceber que o que sinto no corpo nem é coisa a ser falada.

Hoje chove aqui tão longe do meu Brasil. Queria que chovesse lá. Uma chuva de água benta de amor ao próximo que lavasse os corações todos. Ou não. Às vezes é bom que chova. Mas ácido e canivetes. Para saciar a sede de certas criaturas, água não basta.

E eu que certamente não verei mais minha terra-mãe, morrerei um dia aqui ou ali com os pés arrebatados de lá. Portanto, sim, de todos os sofrimentos possíveis, a aflição por meus irmãos e por meu país destruído será a maior, a mais forte, a mais terrível dor que carregarei comigo até meu próprio fim.

Photo by Banter Snaps on Unsplash

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E VAMOS ATUALIZANDO…

Vou contar um segredo (será?): Com meus probleminhas (aqueles de saúde que vão se acumulando, sabe?) ficou um pouco duro atualizar o blog com regularidade. Então venho postando uma vez ou outra, quando é possível, quando consigo, quando a escrita sai por meus dedos e corre para o teclado mais rápido do que o cansaço que sempre me toma.

Agora estou tentando me organizar e reorganizar o blog. Seções, artigos, páginas, etc.. Fazendo uma busca em HDs externos antigos que tinha guardado em gavetas nesta fase “organizacional” para poder eliminar bobagens, acabei achando muitos textos meus de várias datas. São textos que já foram publicados em livros, outros nunca. Textos que tinha postado no meu “old” blog Certas Linhas Tortas e outros que eu nem lembrava ter escrito.

Resultado disto tudo: Além da “reforma estrutural” no blog, também tenho agora um grande material a ser postado por aqui, na medida do meu possível.

Fico feliz ao perceber que tenho continuado a receber a visita de vocês e também de saber que novos visitantes chegam. Minhas boas-vindas sempre a todos e gratidão pela visita e pela leitura.

Photo by Pineapple Supply Co. on Unsplash

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UM POUCO DE ESPERANÇA NO CAOS

Quando vivemos situações difíceis de suportar, vem à mente que há tantas coisas na vida que pensamos não suportar, mas suportamos, mesmo com dificuldade, suportamos. E, mais do que isto, vencemos.

Somos muito mais do que as palavras de reclamação que saem de dentro da gente. A rotina cansa? Férias longas também cansam! Calor demais é horrível? Frio também! A vida lá fora está desesperadora? Passamos por tanto antes, conseguiremos superar mais uma vez. Problemas de saúde não nos permitem sequer viver com um mínimo de normalidade? Comemoremos! Ainda está vivo e podemos tentar melhorar pelo menos alguma coisa!

Palavras são ditas e tentam nos ferir, humilhar, incomodar? Atos de instigação à violência e preconceito nos cercam como flechas envenenadas?Não deixemos que nos atinjam aqueles que, certamente, não sabem mais o que é dignidade ou amor próprio e se escondem sob a aba da covardia!

A vida parece um caos muitas vezes, o desespero bate… Certas coisas doem na gente como cortes de papel na pele ou até feridas profundas…

Mas pensemos no bem, nas razões da vida, nas certezas subentendidas do Universo: O mundo dá voltas e as voltas do mundo trazem os medicamentos mais inesperados para todos os males.

Falta tempo? O tempo é o mesmo todos os dias: 24 horas! Portanto, se nos organizarmos, ou mesmo se perdermos a obsessão “tempo“, cada dia será um dia diferente e, quem sabe, talvez bem melhor! Vivamos hoje. Vivamos bem. Ao menos tentemos. Alguém vai nos ver tentar, vai se inspirar mesmo sem nada dizer e vai tentar também. Tentativas serão somadas e, se muitos de nós tentarmos, nossa convivência amorosa será benéfica para todos.

O sistema social não mudará de imediato, a roda deste sistema é velha, enferrujada e corroída. Toda mudança leva tempo e a verdade é que, como a árvore que se planta, muitas vezes nem veremos os seus frutos!

Perdoemos os erros uns dos outros e os nossos. Tentemos ao menos. E sigamos em frente, porque acreditar que é possível ao invés de reclamar, afirmar boas coisas ao invés de confinar nossos pensamentos no luto da falta de esperança e lutar pelo que possa melhorar nossas vidas e a dos nossos próximos é o que fará a diferença.

Que possamos nos colocar no lugar do outro antes de criticar, de jogar a pedras, de acusar ou agir de forma irreversível. Que sejamos empáticos, caridosos no silêncio do amor verdadeiro e, mais do que tudo, que saibamos reconhecer e assumir nossas falhas para abrir espaço cada vez maior para o bem e o bom nesta sociedade tão carente de amor e paz.

Imagem de Carolina Heza

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ABRAÇO O MUNDO

Porque assim somos, seguimos tantas vezes numa rapidez destoada, passos que não respiram, garganta cerrada de quantas palavras trancadas no ventre.

O tempo passa, ele vai adiante sem se preocupar se a gente acompanha ou não. E um belo dia tentamos lhe alcançar sem conseguir.

Volto, faço a volta. Não há caminho de volta. Será que saberia voltar? Mas… e afinal, quem precisa mesmo voltar?

Viver sem molhar os pés, sem virar de ponta cabeça, sem se torcer e retorcer, sem a dor do tentei, mas não deu. Viver do erro apontado, do erro negado, do erro sabido, do erro maltrapilho que se alimenta do medo e não deixa mais nada acontecer naturalmente. Não é possível viver sem se deixar levar pela vida. Pela mão, de olhos abertos ou fechados, como criança ou aos trambolhões.

É preciso dizer que aquilo que a solidão melhor ensina é ter uma fobia louca da gente mesmo e de tudo o que nos pode ser possível alcançar e realizar durante as caminhadas, mesmo aquelas não programadas. O absurdo do medo que não tem nome, que suplica à insegurança instantes a mais para nos matar eficazmente.

É assim com o passo dado e o tombo vivido. O levantar, a dor, a vergonha e a tristeza. É assim também com a fala engolida, quando se tenta soltá-la e ela sai tímida, amedrontada por respostas não dadas ou gritos que enxovalham. Também assim é com o sorriso interiorizado, aterrorizado, que se mostra numa fotografia e nas ruas não tem a ousadia de se exibir.

Outros foram os dias de chuva, de cinza e de escuridão. Todos eles interiores, que nuvens no céu não são capazes de descolorir o dia a tal ponto. Nem a chuva estraga o caminho de quem sabe onde vai ou sonha para onde deseja ir.

Hoje, na manhã começada, uma paz sem precedentes, um convite interior trouxe-me para fora de mim outra vez. Tinha me perdido tão longamente em minhas profundezas que senti uma certa dificuldade em compreender aquela vontade tão simples.

Eu queria abraçar o mundo. Queria abraçar a paisagem inteira que me recebia. Eu queria e então abri os braços, envolvi o mundo num longo e prazeroso abraço até que me senti novamente parte dele.

Abracei o mundo! Nossa, fazia tempo! Fazia tanto tempo do último abraço, que me veio instantaneamente o espanto: … Eu não sabia mais do tamanho, da grandeza dos meus próprios braços!

Photo by @fuuj on @unsplash

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AMOR POR LIVROS

Palavras que retratam o que me faz ser eu. Livros eu li e livros eu escrevi. Livros troquei, doei, vendi, divulguei, carreguei nos braços como os tesouros que sempre foram pra mim. Hoje levo na bolsa uma biblioteca, meu querido amigo Kindle Oasis não me deixa na mão! Se já não posso mais ter nos braços o “peso” dos amados livros, tenho-os agora na biblioteca virtual. E ainda assim, a cada virar de página, sinto o aroma das folhas de papel, o farfalhar entre meus dedos a cantar a sublime canção das histórias lidas… Ler é vida e minha vida é ler. Não importa onde, não importa quando, importa apenas poder agradecer poder ler, agradecer quem escreve… A vida sempre será melhor com os livros como companheiros!

Texto escrito na foto: Silas Fonseca, montagem de Patchwork das Ideias

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MÚSICAS NA CABEÇA E OUTRAS COISAS BOAS

Fazer o que se gosta é algo realmente muito bom, dá mais espaço para a boa vontade, libera a inspiração e deixa a gente com a liberdade de “ser” dentro do próprio trabalho, ou seja, existir plenamente.

E no dia a dia, nada mais gostoso do que trabalhar com música! Isto eu adoro. Das clássicas (amo Bach e violoncelo; as missas! ah como são lindas as músicas sacras!) passando pelas músicas que se inspiram na natureza (som do mar, sons de chuva, tempestade, etc.) até chegar ao jazz, pop, rock (delícia que é se abandonar ao som de uma guitarra)… Pouco importa. Sou realmente eclética e tudo depende do meu momento e também do que eu estiver fazendo. Mas escuto de tudo.

Há uma alegria inexplicada em combinar música e trabalho.

 

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