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FORAGIDA

por onde andei? andei por aí, bem longe de mim
andei fingindo não sofrer
e fazendo de conta, enquanto sofria,
que sofrimento era rotina e nada de mais.
andei de encontro a paredes, blocos, muros, 
caminhos estreitos me pressionando para dentro
bem dentro de mim.
quanto mais me encolhia, mais sentia
que podia ir cada vez mais pra longe,
bem pra longe de mim...
não reencontrar linhas me esperando 
- e se espantando -
caso eu nada tivesse a dizer.
andei foragida, um alvo nas costas
outro no coração
e um aviso de busca na testa e nos textos
- subliminares textos -
a desfilar nos pensamentos.
de que adiantou fugir tanto?
foi tempo perdido ou tempo ganho? 
foi ao menos tempo?
nada é resposta.
o que conta - e é só - é que fui encontrada.
me encontrei em minha própria abstinência
para não ser mais eu.

Photo by Elia Pellegrini on Unsplash

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