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SOB A LUZ QUE A LUA NÃO TEM

 os cabelos caiam longos sobre os ombros e desciam as costas
espessos e longos fios da cor de um pecado por dia cometido...
muitos, muitos foram os pecados se somados com exaustão...
pecou contra si mesma negando seus desejos e vontades
pecou contra a vida quando desejou se ver livre dela e do resto
pecou... e conta nos dedos ainda hoje o que não seria pecado...
e seriam contabilizados como simples erros de juventude...



fechava os olhos para confiar melhor em cada uma das apostas
a vida não dá presentes para quem prova o sabor do proibido...
ao menos foi isto que aprendera ainda criança como lição...
e hoje questionava... questionava o quanto valia a honestidade
se perguntava: quem é que pode seriamente dizer se presto
se tudo o que fiz foi realmente fora das leis, foi tão errado...
que nelas me abandonei e nelas abdiquei da beatitude...



foste tu a pessoa que inventou todas as perguntas e respostas?
foste quem determinou se errando eu teria me perdido?
se foi, me diz com que direito e de onde tiras toda esta razão
para saber de mim, do outro, de qualquer um a veracidade
sobre quem somos, o que fazemos, o que diremos... eu atesto:
de mim nada sabes e nem saberás por que estás cegado
pela obsessão tão fútil de me adivinhar cada atitude...



ela pensava alto, os cabelos jogados sobre rosto à mostra
seu corpo só de peles, ossos e de dor vestido...
queria entender o porquê de nunca encontrar solução
para problemas que para outros eram fonte de vaidade...
mas nada vinha, nem uma palavra, sequer um gesto
que lhe convencesse ser merecedora do mal já fadado
a lhe seguir não importando todas as suas virtudes...



quem dera conseguisse ser como quem nela encosta...
ter o talento da mentira, da ganância e do lado escondido
aquele que jamais se revela para outro coração...
todos os seus pecados eram simples e nesta simplicidade
eram tão normais que nada tinham mesmo de indigestos...
águas passadas sob a ponte e no moinho já parado
memórias tolas sem consequências e outras finitudes...



percebera o destino através de pessoas fazendo propostas
nada de mais para quem tem a vocação para bandido...
para ser na história o personagem que se chama de vilão
e que na realidade é o que conquista sempre a felicidade...
só que tudo isto lhe parecera mais que ruim, tão infesto...
que tudo o que conseguiu foi ir negando sem cuidado
sem disfarçar o sentimento que lhe parecia ser tão rude...



os finos fios de energia universal lhe deram as amostras:
se desejar pode vencer subindo a passos desmedidos!
terá o que quiser de material, conquistará cada ilusão
alcançará os bens que a vida pode dar em cada idade...
mas depois não dormirá jamais com o som alto e manifesto
da consciência a chorar lágrimas de sangue infectado...
nem erguerá a cabeça, nunca mais, com retitude!

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Texto de 2016

Photo by Axi Aimee on Unsplash

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