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DEUSA DE PEDRA

… e eu era deusa, uma deusa de pedra…

sem face, sem forças, vazia em seu interior
de tudo o que não fosse tristeza e dor.
olhava o horizonte sem vê-lo, mirava o nada,
pautava meu destino pelos vãos da estrada. …

 eis que uma noite, jogada ao léu do sono mais profundo
um mundo-precipício se abre: alguém, de longe ouviu
as preces que em verdade nunca fiz… não escapei por um triz.
fui pega pela avalanche de almas de passado longínquo.
uma a uma elas foram entrando em mim…

cada uma anunciada por data, nome e sobrenome…
cada uma eu via… mulheres e homens….

coragem, sofrimento, garra, vontade, suor, sorrisos, plenitude, tanto!…

vinham de longe, das constelações profundas do universo,
todas elas partes do quebra-cabeça que sou.

 … e sentindo os ventos da tempestade-mudança,
entreguei-me com medo. ancorei meu corpo e a mente se foi.

 … não sei se despertei, se fui acordada ou lá permaneci…
a andança e o tempo, tudo em mim escorado ainda no sonho…

olhos de sono, pensamentos cheios…

– e eu agora era deusa, uma deusa altiva e consciente…
plena de faces, rica de forças, visões em seu interior
de tudo o que será, o que virá e pouco importa a dor.
fixando os olhos no horizonte e conhecendo a estrada,
entregando-me a um destino que é tudo, menos nada.

Imagem by #jb_bandit on @pixabay

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