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POR QUE SABER DA VIDA E MORTE DE MARIELLE?

A resposta deveria óbvia para cada cidadão e cada cidadã que se imagina de bem (moral, psicológica e espiritualmente falando). Mas não é. Muitos se pensam do bem enquanto sequer conseguem sentir empatia pelo próximo. Se o próximo não for como acredita que seja “o melhor”.

Toda vida é importante e tem uma impressão única em sua passagem neste Planeta em que vivemos. E, como bem sabemos, se tantos passam em vão, outros atravessam os vãos e se destacam. É o caso de Marielle Franco.

Marielle, nascida Franco da Silva, mulher negra e bela chegou ao mundo em 27 de julho de 1979 na cidade do Rio de Janeiro e, numa conjuntura nada simples, num bairro onde as minorias são a maioria. Estudou, batalhou e diplomou-se em Ciências Sociais e Administração Pública. Jovem, decidida e de temperamento forte, dedicava-se com vigor às causas humanitárias, envolvendo os direitos civis fundamentais dos cidadãos de seu bairro (Complexo da Maré) e da cidade do Rio de Janeiro em geral.

Envolvente, forte de caráter, ela enfrentava os pesadelos diários dos moradores desfavorecidos: o tráfico de drogas, a luta pela sobrevivência social e, bem pior, por pior que pareça ser, as milícias formadas por policiais, ex-policiais e outros, envolvida em extorsões financeiras, sequestros e assassinatos. Encarava o problema, apontava o dedo para a ferida exposta, falava com todas as letras o que faziam, como faziam e o que causavam com suas ações.

Marielle Franco tornou-se Vereadora com seu lema Mudar é Possível, o qual ecoou fortemente no Rio de Janeiro. Com Marielle, o discurso humano vinha junto com as ações que traziam o seu natural comprometimento com a gente que ela acreditava poder ajudar.

Negra, inteligente, forte, casada com uma mulher, sensível, vibrante, Marielle se desenhava no horizonte como um raio de sol na luta social brasileira e já se percebia para ela uma carreira política nacional. Muitos viam naquela mulher de sorriso franco como seu nome, o chegar da representação, finalmente, do Feminino ao Poder. Marielle , mulher do povo como Lula, o homem do povo. Marielle da coragem para a luta, como Anita Garibaldi, a heroína dos dois mundos. Marielle plena de paixão pela vida como ela mesma.

Até o dia 14 de março de 2018, quando teve sua vida cortada repentinamente. Marielle foi fria e cruelmente assassinada por miliciano juntamente de seu motorista Anderson Pedro Gomes. Morte encomendada. Assassinato no pior estilo “gangsteriano“. Atravessados por balas, deixaram no local seus corpos plenos de sangue e o sangue de seus corpos lavando o chão sujo dos pés milicianos.

Enquanto Marielle deixava a vida ali, naquele carro, seus assassinos fugiam. Fugiria a partir daquele momento também a justiça, que não faria (como não faz até hoje, final de 2019), muitos esforços para finalizar com êxito a enquete sobre o crime, com a prisão definitiva dos assassinos e mandante (s) do crime.

Indignação e lágrimas tomaram o Rio de Janeiro, o Brasil, o mundo!

A mulher assassinada pelos covardes, se forte em vida, virou gigante depois de sua partida. Na verdade, ela partiu desta vida e nasceram fagulhas de Marielles pelo mundo todo. Em seu bairro, há Marielles crescendo nas meninas negras. Na sua cidade, Marielles resistem. Pelo país, Marielles seguem segurando às mãos umas das outras vão se erguendo. Pelo mundo, parques, ruas, tornam-se Marielles e Marielles negras, brancas, índias, pardas, azuis, vermelhas, verdes-esperança, surgem e enfrentam a violência diária. Resistem. Existem. Lutas sociais, arte, cultura, política, forças que se unem através dessas Marielles em busca de justiça para todas as Marielles que são mortas à bala, à facadas, estupradas. Morrem no corpo e morrem na alma.

Saber de Marielle, de sua vida e de sua morte, é essencial para conhecer o Brasil de antes e o atual, mas também para atravessar muros culturais que neste momento podem até parecer intransponíveis. Marielle pode ser uma ponte…

Marielle, desde que vi falando pela primeira vez (e isto depois de sua morte), me deixou encantada. Me doeu tanto ver seu sorriso, ouvir sua voz, compreender seus desejos lindos e saber que ela tinha sido calada por balas.

Peço licença à Mídia Ninja (jornalismo referência de resistência nestes tempos sombrios) para aqui colocar o link do vídeo que mais perfeitamente define Marielle. Espero que não se incomodem com minha singela homenagem. E deixo a você aqui a oportunidade de assistir e, quem sabe, ser mais um a compreender a importância de saber

QUEM MANDOU MATAR MARIELLE FRANCO!

Foto e Vídeo: Mídia Ninja

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