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A CULPA NO PALCO

Do centro do palco ela olhava o teto, olhos vagos e opacos. Falava de culpa, descrevia em seu monólogo a dor profunda que o punhal representava ali em suas mãos. Não tinha lágrimas, a voz soava rouca.

De um instante para outro, loucuras à parte, ela se levantou, afastou a cadeira e gritou!

– É arte! A culpa é arte! A culpa é a arte da dor dilacerando o coração de dentro para fora!

Depois, olhos nos olhos da plateia, ela silenciou. Sentou-se novamente, jogou o punhal no chão e com ele gotas de sangue pingaram de suas mãos.

A cortina fechou antes que pudesse retirar a máscara.

Photo by Joshua Hanson on Unsplash

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