Contos e crônicas Desvarios

(IN)GRATIDÃO

_ Eu não quero que voltes nunca mais aqui!

_ Mas como? Eu preciso… eu…

_ Não, não precisa. Ninguém merece. Esta terra não merece. Me promete. Me diz que não vais mais voltar aqui.

_ Mas eu…

_ Esta é uma terra de ingratidão. De perfídia. Olha pra mim, olha pra trás. Achas mesmo que vale a pena botar os pés aqui novamente?

_ Eu…

_ Daqui a pouco estou partindo. Quem te queria bem já foi antes de mim. Agora nada mais restou. Pega tudo o que é teu, pega os teus e nunca mais volta aqui depois que eu me for.

Argumentos não foram possíveis. O tempo de pensar neles e chegou a hora de sua partida. Houve um entendimento, um acordo, uma promessa? Não sei. Mas a gratidão me punia com a obrigação de ceder e concordar.

Uma dor no coração forte, punhal de saudade atravessando. E ao mesmo tempo as palavras, as mesmas palavras, retirando o punhal e estancando o sangue:

_Nesta terra não há nada mais para ti. Acabou. É o fim.

Photo by louis tricot on Unsplash

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