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PROFUNDAS CLAUSTROFOBIAS

Não é muito simples tentar identificar emoções. Principalmente quando elas são boas. Geralmente é o caso de se dizer: se tá bom, fica quieto. Mas eu não sou assim. Tá bom é? Então eu preciso saber por que que tá “tão” bom… mesmo se eu reconheço que o efeito de certos navegadores é eficaz neste imenso oceano da vida…, mas eu sou assim… Preciso de razões justamente quando não deveria precisar.

De repente, nos últimos dias me pego rindo do fato de estar com uma dor danada. Ou falando da fadiga extrema que me toma com o maior sorriso nos lábios… estranho?

Estranho… bem estranho… O telefone toca e a minha vontade é de jogá-lo no lixo, assassinar a pessoa que está ligando, mas me levanto lentamente, olho o número, pego o aparelho e, lentamente, coloco-o dentro do armário. Gestos que não são meus. A raiva contida é. Os gestos não.

Começo a falar, a pensar, tudo se confunde… um amontoado de pensamentos. Sonhei, pensei, falei? Algumas coisas parecem se tornar mais racionais, outras completamente irracionais. Gasto a sola dos sapatos da razão tentando encontrar uma única dica… e vem a imagem que me apavora: um submarino! Eu estou fazendo a maior festa num submarino! Logo eu, que tenho horror de submarinos!

Por isto tudo está bem… agora começo a entender… a música (Tina Charles cantava agora há pouco Love me Like a Lover), as pessoas indo e vindo, os meus sorrisos, o humor meio deslocado e o comportamento mais que distante de mim… estou fazendo a maior festa dentro de um submarino!

 Lá fora, litros e litros de água (para evitar a pesada palavra toneladas) envolvem o submarino e dentro dele estou eu… (meu coração ritmado agora com Evelyn Thomas cantando Heartless…) completamente surreal.

A imagem me causa um pavor profundo. Me entrega a uma claustrofobia impossível de controlar ou disfarçar. Aqui das profundezas nem ouso gritar. De nada serviria. Dentro do submarino tudo é falso, meus gritos nem ecoariam nas paredes.

E o oceano imenso que está sobre mim é pesado demais, escuro demais, grande demais. Qualquer grito seria abafado.

Eis a grande diferença entre uma crise de pânico quando se está na beira na praia, com os pés na pontinha das ondas do mar… e uma crise de pânico quando se está submerso no oceano, tão submerso, que já não se sente mais os movimentos das águas… não se consegue mais sentir… não se consegue mais respirar… não se consegue mais…

(Texto de alguns anos atrás (2014, 2015?), baseado em um momento vivido em 2007 e que foi o gatilho para muitas coisas que vieram depois)

Photo by Nate Neelson on Unsplash

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