Contos e crônicas

ESMERALDA

Nascida nas estradas da vida, ela era uma estrela, Esmeralda. Estrela de olhos de mar. Navegava a vida, cavalgando ondas e catando conchas. De vez em quando se perdia, meio que se afogava, engolia água, perdia pé, sentia medo. Mas sempre voltava à tona. Mais forte, com menos raízes e asas mais largas. As pessoas não entendiam como o sofrimento, que era o alimento maior daquela mulher, não conseguia acabar com ela. Esmeralda alimentava-se de dor. Era uma sobrevivente das dores da vida nas suas mais diversas expressões. Usava as marcas como adorno e seguia. A beleza de suas rugas não a deixaria mentir: era única! E acima de tudo, ela era a alegria de suas roupas coloridas, de seus colorares dourados, dos brincos que dançavam quase sobre os ombros. Mulher de fibra, Esmeralda era cigana.

Photo by Lance Asper on Unsplash

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