Poemas

INSTINTO CEGO

meu instinto me diz: vai, navega, segue em frente, enfrenta o horizonte
te descobre, descobre teu corpo, teus pensamentos, medos, voz…
ultrapassa o visível, flutua, voa, voa, voa, abre a fé e alcança o invisível
confia em mim…
meu instinto não quer saber o que fiz ou não para chegar até aqui
e ainda assim entrega-me seus olhos…
meu instinto não quer de mim a jura moral ou imoral
da crença ou da verdade, das inverdades e desavenças com a vida…
não questiona minha conduta, o que importa o que fui… ou não?
não me pergunta das vezes em que falhei e o que fiz para corrigir… ou não…
não me desmente, não me desarma, não me quebra, não me pressiona…
apenas abre-me as portas e me mostra que há para onde seguir…
e eu que sempre imaginei o instinto como um homem cego
um homem, um ser, um cheiro, uma fagulha, um fantasma
algo sem nome e duvidoso
vivendo em meu cérebro,
percebo a cegueira e ela vive em mim…
uma ceguidão quase ignorância nas falas e pensamentos
e verdadeiro cegamento dos olhos que nem buscavam ver
uma realidade estampada em torno de tudo…
… ainda assim meu instinto me agarra o braço,
me rasga o restante da razão, me instiga os sentidos todos
e me insufla o sabor do desconhecido:
… vai!

Photo by Caique Silva on Unsplash

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