Contos e crônicas

ENCONTRO DAS CORES

Cada parte de mim uma cor. Cada centímetro do corpo e todas as dimensões da alma e da vida. Sou tão cheia de cores que as nuances se encontram, se penetram e se redesenham, saindo das sombras, vertendo significados, se erigindo feito uma torre em direção aos céus. Mas, sem a agonia e as afoitezas de uma Babel. Apenas seguindo a intuição. Sem intenção. A inspiração vagabunda que visita o artista adormecido e lhe rouba a lembrança ao despertar. Os tons vibrantes e os outros ternos ou talvez mesmo sombrios, cores lavadas na água benta, nos rios e nos tanques das costas cansadas. Cores sujas de tanto viver, de tanto sofrer, de ocultar segredos e visitar mistérios. Sou cor. Escolheria eu uma só cor se fosse minha e igual a “escolha de Sofia”? Seria capaz de me entregar a uma cor apenas, abandonando todas as outras em nome de uma pureza desconhecida ou de uma segregação submissa? Não sei. Prefiro crer que morreria sendo o encontro, a profusão bela e desigual e nunca o fundir das cores. Nada de preto ou de branco, de luz ou ausência dela. Cores sem nome, pretextos para ser feliz

Photo by JFL on Unsplash

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