Poemas

Virtude

Vícios

também podem ser virtudes.

A pitada de sal

no doce cozinhando na panela.

A gota de pimenta

que salienta o sabor da comida no prato.

Bebo meu café, ele é meu vício.

E é meu vício também escrever.

Sem as letras há a loucura que aponta:

ela grita, me aponta o dedo, me sinto mal.

Preciso do café, o matinal, o do após o almoço…

Preciso das letras, preciso misturá-las

cozinhá-las sem receita prévia

nenhuma corrente me atrelando à virtudes alheias.

E de que me adianta ouvir que já escrevi tanto, tanto

que nunca hão de ler tudo o que já escrevi?

Nada.

Porque deságuo. E esta água em mim sempre é tanta…

E a barragem que me infligem por vezes se fragiliza.

Virtude, a fragilização.

Permite a libertação, mesmo em gotas

de meu vício, as letras.

Photo by rawpixel on Unsplash

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