Desvarios

PALAVRAS AO LÉU

A água lentamente vai enchendo o copo. Levanto-o e bebo tudo. Pego a garrafa e coloco um pouco mais. Preciso de água pura para limpar de mim a vontade das palavras que me sobem à mente e que calo porque sei que não há ouvido para elas. Limpo a garganta, arranhada pelas palavras ditas anteriormente e que só fizeram mal a mim mesma quando percebi que falava ao léu. Mais um gole, dois goles, o copo inteiro. Quero lavar a alma, acreditar que talvez ainda valha a pena uma ou outra palavra, algumas frases… Mas sei que não. Largo o copo, a garrafa, deixo o restante da água e, ainda sentada, observo o mundo à minha volta. Nada mudou. Eu mudei. Um ou outro mudou. O restante, bonecos felizes, continuam cantando ao som da festa, enquanto fios, que nem são transparentes, os fazem dançar. Me faz mal a visão. Ergo-me e sigo.

 

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