Poemas

ANESTESIA

pela porta entra

se espalha pelo corpo

depois

se concentra no cérebro.

que dorme então

o sono

dos desajustados,

onde sonhos não existem.

o corpo caminha.

fala.

não pensa.

age.

não reage.

uma prisão sem grades, sem guardas, tão grave!

pequena morte. tórpidos os sentidos.

onde cortes não doem.

a mente entorpecida

não descansa.

se cansa.

se acabrunha.

e de dentro s.o.s.

s.o.s.

s.o.s. s.o.s.s.o.s. s.o.s.s.o.s. s.o.s.s.o.s. s.o.s.s.o.s. s.o.s.s.o.s. s.o.s.!

e de fora gratidão.

sossego.

a mente siamesa

disputa o controle:

loucura ou loucura!

mas só quem vence

é a anestesia

a paralisia

estarrecendo, tolhendo,

recolhendo, encolhendo

transfazendo o ser inquieto

para ser aceito

visto

e vencido.

 

Wintersleep by Laura-Makabresku (incredible artist!)

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