Contos e crônicas

MEDOS NÃO SOMEM SE MANDADOS EMBORA

Os medos são criaturas tenazes. Não somem se desejarmos que sumam e nem mesmo se os mandarmos embora. Medos costumam se enraizar sob nossa pele, se espalhar pela carne, corroer as entranhas, diluir os ossos sob seu ácido feroz.

Eles costumam chegar repentinos, não se sabe bem nem porquê os sentimos assim tão profundamente, mas ficamos aterrorizados com muito ou pouco, claro ou escuro, óbvio ou nem tanto, real ou imaginário, objeto, gente, animal… Um medo, outro medo, o medo de algo ou de alguma coisa. O medo de ser, de fazer, de dizer. Os medos perturbam, atemorizam tanto o coração que este esmorece diante das sombras.

Quem teme sabe o quando é duro enfrentar o medo. Sabe que ele pode até ser irracional, que as proporções não são tão avantajadas quanto se permitem parecer. No entanto, o que fazer? Medos não se dissolvem diante da vontade. Uma mãe encara seus próprios medos se preciso for. Por um filho uma mãe se transforma em fortaleza. A fome, a sede e outras necessidades também fazem ressurtir a coragem para espantar, ainda que momentaneamente, todo e qualquer medo.

Só que no fundo, no profundo de nós, causas irresolutas, os medos guardam seus olhos abertos e suas raízes plantadas no inconsciente que abafa nossos mais íntimos pensamentos. Assim, de soslaio e de prontidão, quando menos esperamos eles voltam a nos ameaçar.

 

Photo by Oscar Keys on Unsplash

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