Contos e crônicas

COISAS AZUIS

Olhando para o céu, percebi o inverno chegando. As nuvens tinham um não sei quê que me confessavam a chegada do frio e o próprio azul infinito era bastante diferente dos outros azuis que em geral definem as nuances do que sinto. Naquele dia, naquele inverno, minha vida iria mudar. Eu só não sabia ainda. Olhava os azuis e, definindo-os, tentava assim compreender o que me cercava e talvez até a mim mesma. Mas não houve azul suficiente. Nenhum dos tons da minha cor favorita poderia ter me dito, previsto e fazendo isto, ter me protegido da dor que veio logo depois. Meu coração, pouco importam os anos ou a experiência, não se acostuma com separações e, entre todos os azuis daquele dia, daquele olhar, daquele céu, a dor desceu feito chuva e me encharcou. O sol veio muito, muito depois. Tão depois que minhas lágrimas ainda não secaram.

 

Imagem by Moshehar

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