Contos e crônicas

DA JANELA, OS RUÍDOS…

Abro as janelas novamente para ouvir a rua. Dela me chega a vida de todo dia e, como sou muito urbana, gosto, gosto muito de me deixar ir e acompanhar pelo vai e vem das pessoas e coisas e do tempo bom e até das intempéries. Do vento, mesmo quando forte me assusta, aprecio ouvir seu cântico. A chuva caindo, tão bom de ouvir que até a alma relaxa. Os pássaros passam. Voando, cantando… voo com eles, canto até. Meu cachorrinho, que já não está mais por aqui, adorava o latido dos cães da vizinhança! Confesso que eu também gosto, me dão uma sensação boa, com eles eu sorrio! Porém devo ser descendente direta de Herodes, porque crianças gritando, jogando bola na parede… não tenho paciência, nenhuma mesmo… Fecho as janelas. Fecho também para o ruído forte dos caminhões ou de barulhos que soem como violência: sirenes, gritos estridentes… Estou até habituada ao ruído das britadeiras, martelos e companhia limitada que integram a orquestra da obra que vem sendo feita ali do lado. Mas detesto, simplesmente detesto!, certos vizinhos que sistematicamente fazem algazarras em horas em que o silêncio deve ser apreciado. Para estes, definitivamente, tranco as janelas.

 

Imagem by Theo Rivierenlaan

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