Contos e crônicas

ESPELHO PARA O MUNDO

Seus olhos refletiam a paisagem. Gente passando correndo. As correrias de sempre em horários definidos entre os edifícios e ruas cinzas. Fechando os olhos, dormindo, acordada, escondia-se sob as falsas artes que a vida insistia em lhe mostrar. Mas chegou o dia em que o vazio veio e permaneceu. De maneira súbita houve o caos e nem pessoas, nem barulhos… Nada dos passos apressados ou dos acinzentados urbanos. Ao invés disto, o desconhecido tomou seus olhos e espelhou-se neles. Conheceu então a dor aguçada, a punhalada profunda, a agonia insistente da solidão. Nunca mais conseguiu fechar os olhos.

 

Imagem by Victoria Audoaurd

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