Contos e crônicas

A VITRINE DE ANJOS

Ela se levantou, cansada, já quase no final do expediente da loja e foi até a vitrine. Olhou aqueles pedaços de manequins nus, em torno deles apenas o vazio de um lugar que neste momento fecharia suas portas para sempre depois de trinta anos ali. Sem muito pensar pegou as tesouras, as flores que recebera como presente de alguns conhecidos pelo encerramento de suas atividades. Juntou a elas algumas penas que rolavam ainda pelos velhos armários. Quando percebeu, tinha dado asas aqueles seres inanimados. Tinha feito deles, os anjos que sempre desejara ver e por quem passara a vida rezando.

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