Contos e crônicas

COISAS DE VELHO

Tem coisas que a gente passa a vida pensando que são coisas de velho… Quando se tem sete, namorar é coisa de gente mais velha, tipo dezesseis anos… Depois, ali pelos dezessete, casar é coisa pra gente mais velha, tipo… vinte e seis! Ali pelos vinte e cinco a gente pensa que se cuidar é coisa pra gente velha, com uns trinta e oito, por aí…! Aos trinta e cinco é fácil imaginar que problemas de família, perder amigos e gente que se ama, só acontece depois de velho, como quando aos quarenta e oito, por exemplo… Mas aí a gente faz quarenta e oito e vê que já passou por tanto… já brincou, namorou, casou, descasou, ficou casado, recasou, se cuidou, se descuidou, teve mil duzentos e dois problemas, perdeu gente da família e amigos pra morte e pra vida… Então resta pensar que problemas sérios de saúde, só depois de velho, depois dos cinquenta e cinco, mais ou menos. Só que nos 56, quando a vida já passou muito da metade, a morte não é mais metáfora, a saúde já é coisa do passado e ter mais família no céu do que na terra é comum. O corpo e alma sofridos, os olhos com catarata e o coração cheio de vazios. As mãos doídas de artrite e a cabeça doida de coisas pra resolver. Neste ponto a gente vê que se completar um ano a mais, só está ficando é mais jovem. Bem mais jovem, já que o espírito enquanto se prepara para o retorno ao lar, vai é virando criança outra vez…

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