Poemas

AFLIGIMENTO

Afligimento

 

não tolero nem mesmo de mim as perdas e as falhas
os medos, as dores, os pesadelos, as farpas e as tolices…
tenho ódio das minhas perguntas sem respostas
e das respostas que dou sem nenhum sentido….
dançam sobre mim os urubus, cantam as gralhas
há uma espécie de lixo sobreposto, uma imundice…
uns gritos que me lembram um clima ruim de apostas
esquinas onde nada de bom costuma ser vendido.

 

a paciência é um bem ainda mais precioso do que o ouro
e o silêncio de uns e outros poderia ser uma loteria…
há um acúmulo de raivas cultivadas como boa vinha
vômitos engolidos na forma de palavras tão sentidas…
para quem grita a agonia só há um grande tesouro
e este é tão somente poder se levantar um outro dia…
dele desconhecendo a agonia do que nunca vinha
através das lágrimas amargas sobre a face comovida…

 

guizos, sinos, pratos, rufem todos os malditos tambores
para espantar a morte que incansável ronda entre as paredes…

 

preguem, rezem, supliquem, prometam… mas silenciem as dores
que elas são más, torturam o corpo e a mente sente sede!

 

Há um sofrer que não é mais silente…
ele se deita entre nós tão frequente…
ele se esfrega ímpio e indecente…
ele roga pragas impunemente…
não é inocente…
não é…
não.

 

Imagem by Laura Makabresku (I love your pictures, thank you!)

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