Poemas

INUNDAÇÃO

Sobem as águas.
Elas já alcançam as calçadas depois de ter coberto as ruas.
E eu aqui me sentindo quase totalmente tua
chorando mágoas…
Me deixaram ilhada…
Há importâncias e importâncias me diriam elas tagarelas
Se ao menos pudessem falar aos que nem lhe dão uma trela…
E eu sem fazer nada…
Fico sem ação, sem palavras, escudo e espada espalhados no chão.
As águas pouco se importam com silêncio ou rebelião!
Se eu chorar será a gota que falta…
Então engulo a lágrima escorrida e tento ignorar as insistentes
Se não for morrer afogada de que servirá viver entre os sofrentes?
As águas agora estão mais altas…
A noite vai chegar, já venho seu semblante ao longe a esperar
A hora exata de pintar o céu e com a sua cor escura levar
as partes outrora aquecidas…
E com o anoitecer as águas não recuarão, sentir-se-ão mais à vontade
Retomarão seus territórios, se tornarão senhoras da morte e da verdade
Nunca serão esquecidas.
Subiram as águas frias…
Elas agora já se deixam levar em vagas calmas, solitárias…
No que sobrou de espaço, estou. Onde estarão as promessas extraordinárias
Que me fiz um dia?
Sob as águas, afogadas por elas, amamentadas por elas, revividas por elas…
Uma pena eu não estar mais aqui.

 

Imagem by by newstarshooter6123 (Thank you!)

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