Poemas

SEMPRE VOLTO À VIDA

de dentro da veste sou eu quem observa o mundo:
estou muda, nada a dizer sobre o que vejo ou não.
enquanto os olhos vagueiam e neste vagar me inundam
de informações que muitas vezes nem me fariam falta…
tenho vontade de me despir das roupas e de toda a pele
talvez mesmo da carne… deixar apenas os ossos a sustentar
a cabeça que guarda descuidadamente os meus pensamentos…
não… eu não sei se ainda nesta vida poderei alcançar
as coisas que imaginei pra mim e que ficaram constantes
entre o vai e vem dos crescimentos, amadurecimentos
mortes e vidas severinas, intrauterinas, femininas ou clandestinas…
entre as estradas históricas, óbvias e surpreendentes
percorro com os olhos paisagens dentro e fora de mim.
tanto acontece e tudo o que acontece exige a presença e a palavra
enquanto tudo o que desejo é me ausentar, me distanciar, me resguardar…
e nem mesmo sei para onde estou indo. ou se irei. se voltarei. um dia.
mas continuo a passear os olhos pelas vidas que me convidam
sem deixar de estender o olhar aos recantos onde as placas indicam: Não!
eu ultrapasso portas, janelas, portões, cercas, muros, paredes, montanhas…
as cicatrizes que tenho provam o que digo:
algumas feridas nunca cicatrizarão e contarão suas histórias com sangue e pus.
sou assim. é assim que de morta sempre volto à vida.

 

Imagem by Spirit Bunny

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3 comentários

  • responder
    Maria da Conceição
    25 setembro 2016 em 3 h 56 min

    Sempre ! Sempre a nos emocionar com os seus escritos lindos, pulsaste cheio de metáforas . Obrigada por existir Jac. Beijos

  • responder
    Jania Souza
    11 setembro 2016 em 18 h 17 min

    Lindíssimo, bela Jacqueline. Alma pulsante, desnuda, profunda, revigorante. Grande presente o seu ressurgir como a fênix. Beijo no coração.

  • responder
    Carlo Montanari
    10 setembro 2016 em 23 h 11 min

    Irma Jacqueline, sempre aprecio ler os seus textos magníficos!
    Grande abraço,
    Carlo Montanari
    PS Deucelia Maciel envia um beijaço!!!

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