Poemas

A FÚRIA INCONTIDA

de repente surgiu assim do nada
uma fúria sem razão, meio animal
nascida do sorriso que já foi sereno
e bordava os lábios com seu ar eterno…
saiu pela boca em palavras malditas
gritadas com a vontade dos pulmões
a raiva surgida assim sem saber de onde
tinha nela todas as causas do mundo…

 

foi um instante apenas pelos olhos confessada
a fúria que aos outros parecia anormal
e assustava pela força, liberdade e veneno
ao ecoar em sons que pareciam vir do inferno…
pela caneta foram as palavras escritas
toda a agonia não dosada em emoções
nem mesmo um traço do rosto a esconde
nada disfarça a raiva e o seu tom imundo…

 

diz a dor que foi o excesso da calma emanada
que aplastada da vida resolveu-se pelo mal
tornar-se o gesto louco, sem noção e obsceno
a expurgar de si o pus que corrompia seu interno…
das profundezas vieram à tona palavras benditas
e todas as outras, proibidas, amargas… palavrões
a se espalhar pelos ouvidos que não lhe respondem
a se encontrar nos corações calados e fecundos…

 

da quietude de seu ser nascia a coisa desvairada
exigindo espaço, cavando crateras, buscando o graal
ferida aberta a sangrar, apodrecendo sem um dreno
que nela fizesse cicatrizar o olhar já não mais terno…
as palavras, elas voaram para o papel tão esquisitas
se misturaram às mais sóbrias e tristes intenções
e soltas, sem saber a que e a quem correspondem
as palavras de raiva encontraram o submundo…

 

 

Depois a fúria cessou. Voltou ao semblante, a calmaria.
Mas olhos sabiam, eles não negavam… ela voltaria!

Você pode gostar também de

Sem comentários

deixe uma resposta