Contos e crônicas

LER, APRENDER, SE APERFEIÇOAR:…

SER ESCRITOR É ANTES DE TUDO SER UM HUMILDE LEITOR!…

 

A linguagem escrita é sempre fascinante, rica e tão vasta que nem vivendo vidas seguidas seríamos capazes de tudo ler, tudo escrever, tudo interpretar. Com as poucas letras de que dispomos, conseguimos criar maravilhas…. Com as mesmas palavras, cada um de nós conta casos, compõe letras de músicas, romanceia, retrata o cotidiano, enche a vida de poesia!
São tantos os livros de todos os gêneros, tantos são os autores, que não poderíamos sequer ambicionar tudo ler. Mesmo aqueles que têm as bibliotecas mais vastas, provavelmente não leram (e não lerão) nem metade do que guardam zelosamente. Com esforço, nós que temos o gosto pela leitura, lemos muito sim. Mas claro, não leremos tudo o que existe, nem de longe, nem em sonho. Escolheremos o que nos pareça mais interessante e/ou o que seja e alguma forma necessária.
E é aqui que está o que é bom: de um jeito ou de outro, por um motivo ou outro, nós leremos! Pouco ou muito, nós leremos!
Assim dizendo, chegamos ao ponto que eu queria chegar: Ler, mesmo que seja o mínimo necessário, é fundamental para cada um de nós. Lendo aprendemos. Nos cultivamos. Avistamos novos horizontes. Expandimos nossas capacidades. Ler é, em resumo, uma espécie de gênero de primeira necessidade, o pão da mente, a água da alma.
Já tive a oportunidade de escrever sobre o hábito que considero bastante estranho que é o de algumas pessoas que se intitulam escritoras e que não leem e que isto é evidente. Podem até dizer que sim, que leem muito, que estão sempre lendo… e virtualmente publicar em seus espaços citações inteligentes de autores conhecidos. O problema é que a falta da leitura é algo que não é possível esconder e acaba se mostrando nas linhas escritas pela pessoa. O fato de não ler com frequência trai quem se diz escritor porque ele não consegue, de jeito nenhum, sair do que está habituado a escrever e revela a limitação que talento nenhum consegue superar. Limitação que vai além do estilo e penetra com crueldade a própria linguagem.
Quem não costuma ler evidencia este fato no seu estilo de escrita (ou na falta dele), mas também nas suas atitudes. Com a leitura em geral, seja literatura ou outro gênero qualquer, costumamos ampliar nosso vocabulário e aprendemos a reestruturar velhos e saturados formatos usados para escrever. Recebemos através da leitura exemplos e experimentamos através de quem as viveu, as vivências que podem ser muito úteis em nossas vidas. Pessoas que não leem tendem ter seus mundos reduzidos a seus próprios pensamentos e, por mais que tentem, não terão um vocabulário que expresse a mesma riqueza de expressões de quem tem o real hábito da leitura.
E não estacionemos aqui no fato da intelectualidade, do eruditismo, pensando que ler muito é coisa de intelectuais apenas. Não, não é. Claro que estes últimos são portadores de uma bagagem impressionante, abundante, tão formidável que o prazer já nos é dado ao ouvi-los conferenciar, opinar ou mesmo, ler o que eles têm a dizer sobre um ou outro assunto. Doutores, professores, filósofos, grandes estudiosos e intelectuais existem ao nosso redor e podem ser, como os livros, fonte de aprendizado para todos nós!
Mas não estamos falando deles aqui. Estamos falando do cidadão comum, do autor que não obteve ainda reconhecimento, que está na luta por uma carreira. Como você talvez, como eu, com certeza. Este que, justamente, está ou deveria estar, como na vida, em eterno aprendizado e aperfeiçoamento de seus talentos de escritor.
E o que seria este aprendizado e aperfeiçoamento? Ler! Ler muito! Ler autores diversos, estilos e gêneros diferentes que despertem sua mente para universos que não sejam aqueles que ele já está acostumado a ver e viver.
Está também na participação em cursos, em oficinas, em fazer exercícios literários e, claro, escrever sempre e muito. A inspiração é maravilhosa, mágica, faz parte intrínseca da vida do escritor. Mas dela também faz parte o trabalho duro, a árdua tarefa que devemos nos impor: treinar um pouco a cada dia. Se fazemos isto pelo corpo, se nos exercitamos, nos obrigamos a estar em forma e com saúde, por que não fazer o mesmo com nosso desejo de escrever? Talento se exercita! Talento se desenvolve e transforma!
Não pense a pessoa que escreve que o fato de ter um livro editado (ou mesmo vários) faz dela um escritor profissional, realizado e pronto. Quem dera que isto fosse verdade para todos, mas sabemos que esta é a realidade apenas de uns poucos. A grande maioria de nós, escritores em desenvolvimento, que editamos livros e lutamos para que eles encontrem um público, não somos profissionais. O mundo concreto nos mostra como somos amadores. Realizados até podemos ser (ou estar) por fazer de nossa paixão de escrever uma realidade em forma de livros. Mas… prontos? Prontos não creio não. Acho que pronto a gente nunca está. Nem no dia de partir desta vida.
E por que? Simplesmente porque aprender é viver; viver é respirar; e respirar é aprender! Por isto custo a entender a incoerência das pessoas que escrevem, que têm certeza de tudo conhecer e, mesmo sem falar, afirmam com atitudes que se encontram num pedestal de sabedoria. Alguns até desprezam seus pares, se comportando como se fossem o que, convenhamos e citemos, só um Paulo Coelho conseguiu ser hoje em dia: sucesso, famoso, reconhecido, editado, traduzido e lido, muito lido mesmo por leitores do mundo todo! E digam dele o que quiserem, ele venceu no universo literário e este fato ninguém poderá negar.
Então gente…. Vamos abrir um pouco mais a mente e enxergar o óbvio: Não adianta escrever, escrever, escrever. Editar, editar, editar. Imprimir, imprimir, imprimir livros…. Se cada linha editada será uma confissão de limitação. Não vamos nos restringir ao que pensamos saber. Vamos atrás de mais, muito mais!
E só para encerrar, se você se sentiu magoado pelo que aqui descrevi; se você pensar que escrevi exatamente para você e com intenção de lhe ferir; se você se incomodar quando digo que o fato de não ler transparece em suas linhas e atitudes….
Bem, se você ficou ofendido com o que escrevi, provavelmente é porque se reconheceu e não gostou do que viu no espelho destas palavras minhas. Se for o caso, peço a você duas coisas: Tenha paciência com você mesmo que você vale a pena! E em segundo lugar, não perca tempo negando, que o fato de você o fazer só mostrará a verdade, ou seja, que você se doeu comigo porque fui realista demais.
Ao invés disto, abra-se para o mundo da leitura e dos treinos literários. Siga em frente lendo e trabalhando muito para melhorar sempre, para que seus textos tenham cada vez mais qualidade e para que você possa alcançar reconhecimento através de suas edições.
Pode acreditar, vale a pena tentar. Diz isto para você quem acaba de escrever este textão e que não deixa de ler de tudo o que é possível, de escrever diariamente e busca estudar sempre que dá, para através da aprendizagem crescer, conhecer gêneros, melhorar os estilos e tantas outras coisas. Porque talento e criatividade, a gente estimula para não deixar estagnar!
E enfim, sonhe muito, trabalhe sempre, leia o que puder e você sentirá a diferença!
Saúde e sucesso para todos nós!

 

Imagem by Shutterstock

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