Contos e crônicas

O ÓDIO

O ódio é sentimento vil. Mas bem além disto, ele é aquilo que mata pouco a pouco numa pessoa toda a humanidade que ela possui. O ódio é transformador: ele busca no profundo do ser a irracionalidade servil e o transfigura num animal insaciável e cheio de fúria que se lança sobre tudo e contra todos. O ódio não tira somente a visão convencional de alguém. Ele cega a mente sem piedade e destrói do ser sua sublime conexão com a alma. A aversão que sentimento tão negativo faz acontecer despe o cérebro de sua faculdade de compreensão e distorce tudo: a realidade e seus reflexos. O ódio retira do humano toda empatia e o leva a desprezar, pisotear, matar… mesmo que não literalmente. Assassina-se pessoas, mas também sonhos e ideais.
O que não se pode esquecer do ódio é que ele é semente, e como toda a semente, é plantado em nosso coração. A nós o direito e o dever de não consentir com este plantio e jamais conceder ao ódio um minuto de voz. Porque no instante em que se aceita odiar, se está dando licença para que o pior de nós venha à tona e pratique ações e reações que podem causar desastres sem solução. O tempo e somente ele poderá curar este inválido de mente e alma. E ainda assim, não dará a ele o perdão e nem a bênção do esquecimento. Sobrará arrepender-se com a consciência plena de todo mal cometido.

– Odiar é uma escolha.

 

Imagem by Malerick

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