Poemas

DESESPEROS DE DOR

descrevo a dor que tomou meu corpo:

ela é insana, completamente louca e dominadora…

me acorrenta aos seus humores

tritura as articulações, os ossos, as veias e artérias.

uma dor sem limites, sem horário, sem fim, sem eixos…

e então eu me queixo.

saio do silêncio e grito tristezas e impropérios

saio de mim por não suportar as dores

elas que me transformam em uma impostora

fingindo estar viva e o resto estando morto.

cada parte de mim assim martirizada sente

as pancadas, facadas… a carne tripudiada

moída pela ferocidade dos afiados dentes

da dor que me persegue em debandada…

qualquer alívio que me chegue é passageiro

instantes breves onde enxergo a luz do dia

onde me vejo acolher sorrisos sorrateiros

pedaços de bela e longínqua sinfonia…

depois volta a tirana e me toma tudo

me leva e atira no seu fundo calabouço

e lá sem resistir me vejo sem escudo

morrer aos poucos no perdido fosso.

Você pode gostar também de

Sem comentários

deixe uma resposta