Contos e crônicas

PALAVRAS DE HOMEM

Da caminhada de sua casa até o trabalho, foi olhando para todos os lados, apavorado com a perspectiva de que alguém soubesse o que ele tinha feito. Sabia das consequências: a maioria de seus amigos já estava presa ou desaparecida. E agora, suas palavras, escritas, estampavam a manchete do pequeno jornal que desde esta manhã circulava meio que secretamente entre a população. Ele sabia que precisa ter feito o que fez, dizer o que pensava, tentar esclarecer as pessoas sobre o que estava acontecendo. Andou duas quadras até perder a liberdade de vez. Não se viu jogado na vala e seus amigos e familiares nunca souberam onde fora. Sobraram suas palavras, seu sangue escrito nas páginas que não conseguiram despertar os sonâmbulos.

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