Contos e crônicas

A ROSA SOLITÁRIA

Havia uma rosa que queria ser igual às outras flores: bela, sim, mas principalmente, mais próxima das demais. Via as outras em jardins plantadas em grupos, todas amigas, dançando ao som do vento que surgia, ora apressado, ora alegre e pausado. A rosa, inconformada e desejosa, apenas queria pertencer àquele mundo que ela observava, mas desconhecia. Assim, um dia a rosa decidiu e, sem muita reflexão, arrancou seus espinhos. Estou com ar mais afável, pensou. E, desta forma, aproximou-se das outras flores com um sorriso. Qual não foi sua surpresa ao perceber que das outras flores obtivera não a amizade esperada, mas escárnios e dedos que apontavam o resto do sangue que ainda secava em seu caule. A rosa nada entendeu. Sofreu com o desprezo e ia se retirando quando ouviu de uma delas:

_ Rosa, por que retirastes vossos espinhos, os gloriosos espinhos que vos faziam, acima de vossa beleza incomum, a nossa tão respeitada rainha? Não percebestes que agora somos flores sem rumo, sem guia, sem um ser a quem venerar?

Pobre rosa! Ferida por sonhar com a feliz ideia de ser igual, havia perdido tudo: Não era igual e nunca seria, pois sua altivez permanecera apesar de tudo. Mas também nunca mais seria rainha, pois o que a diferenciava era o mais importante aos olhos de todas as flores… os espinhos perdidos!

A rosa que queria ser como as outras flores morreu então naquele dia de dor e tristeza.

Mas a noite chegou, outro dia amanheceu e surgiu outra rosa, bela, distante e com todos os seus espinhos. O jardim ganhara uma nova e reverenciada rainha e já esquecera a solitária rosa sonhadora.

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