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UM DIA

Um dia tive 16 anos. E nestes 16 anos vivi a eternidade tão peculiar a esta época em que acreditamos poder tudo. Sou filha da ditadura, cresci conhecendo esta madrasta que me fez querer abrir portas e janelas a pontapés. Mas tive a grande e inesquecível sorte de ter uma família esclarecida, aberta, que me mostrava todos os lados do horizonte, mesmo com as cortinas fechadas impedindo a visão. Tive familiares que alimentaram meus sonhos, acreditaram em minhas capacidades e me permitiram construir asas e com elas voar. Tive professores que, assim como em casa, na escola me ensinaram a ler, a pesquisar e a pensar. Me ensinaram a refletir por mim mesma, duvidar de livros e palavras até chegar à verdade, esta nem sempre absoluta. Nos meus 16 anos, agora já tão distantes, sonhei muito, brinquei muito, tive momentos de dor e alegria. Assim como antes dos 16. E bem depois dos 16. Hoje me sinto feliz, tenho ao meu lado uma pessoa que mais do que me apoiar, me impulsiona e acompanha. Tenho filhos dos quais me orgulho e pelos quais tenho um amor incondicional. Tenho um trabalho que criei e que amo. Amigos espalhados pelo mundo e pelos quais tenho profunda estima. Em resumo, viver livre e feliz tem me feito muito bem. Espero poder continuar. E mesmo sabendo que os 16 estão longe no tempo, saber que o que eu acreditava lá atrás ainda estará no meu coração, me dará forças para continuar crescendo, sem nunca perder a essência.

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