Poemas

POEMA DA EXTREMA TRISTEZA

Sento-me silenciosa junto à solidão do dia cinza. Chove.

Já abri e fechei dois livros. Não encontrei palavras doces

e as palavras que preciso agora precisam ter um pouco de mel.

Precisam ser confortáveis, amáveis, sem a cerimônia fatal

dos que têm coisas a contar, mas o fazem através de senhas…

Passeio os olhos pelo chão. Pelo teto também, mas isto não resolve.

Seria ainda solidão onde quer que meu olhar fosse

já que não encontraria nada além de si mesmo e isto é cruel.

A crueldade de não sentir mais nada além do triste mal

que corrói a alma antes que o sono venha…

Antes de sofrer, antes da dor, antes de viver o tempo escuro

estive em mundos povoados de esperanças… lá vivi!

Lá construí castelos, estradas, pontes, plantei flores…

percorri céus voando como pássaro em feliz liberdade

até chegar a este instante que me prende e faz refém.

Não, de nada serve só dizer que deste lado do muro

só há felicidade e que ignoro os atos hostis…

não posso dizer que onde estou existam outras cores

mesmo sabendo que os cinzas são também tonalidades

de uma paleta viva que na solidão se mostra bem.

Sentada ainda, as mãos no peito recolhidas

peso as vontades de erguer-me ou de apenas deitar

sentidos opostos levarão a todas as consequências

mas me sinto tão cansada para poder nisto refletir…

Encosto então a cabeça na cadeira vazia de mim…

Deixe-me o sonho, deixe-me mesmo a beleza da vida

deixem-me em meu canto, sozinha repousar

que a agonia que me toma com as insistências

só me aumenta a dor e a vontade de partir

ao encontro daquilo que outros chamam fim.

 

Imagem by annemaria48

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