Contos e crônicas

ROTINA

Ana trabalhava duro todos os dias, dias que passava trancada no escritório em frente ao computador. Comia, bebia, trabalhava ainda mais. Não via a rua, não via o sol, não via a chuva. Ouvir então, só o que os outros, espalhados nas outras mesas, falavam de vez em quando. Tinha se transformado numa daquelas pessoas que ela vira tantas vezes em filmes: encaixotada num canto do escritório, seguindo ordens e contando as horas para o final do expediente. Mas todos os dias, todos os dias quando se encerrava o trabalho, a rotina ainda a perseguia. O apartamento pequeno lhe esperava, as latas de comida e os congelados, os livros espalhados no sofá. Olhava desanimada a televisão que permanecia muda. Comia, bebia, descansava olhando o teto e nada mais. Então adormecia, sem ver as estrelas, sem ver a lua. Só ouvia o ruído da rua, os carros passando, as pessoas falando alto, risos altos e gritos estridentes. Mas isto já era quase um sonho. Ana dormia…

 

Imagem by Johan Larsson

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