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POR VEZES PONTE, NOUTRAS PORTO

Passei muito tempo me perguntando o porquê as pessoas em geral ficam um tempo em minha vida e depois se vão, deixando lembranças e saudade. Claro que isto acontece com todo mundo, ninguém fica mais tempo do que o que é preciso na vida de ninguém…

Mas… ainda assim percebi que comigo isto acontece com uma frequência grande e quando olho para trás vejo tantos amigos, de tantos grupos diferentes, de tantas datas diferentes que me pergunto como consegui fazer parte de tanto ao mesmo tempo! As pessoas vêm, as pessoas vão, e delas sempre fica comigo um “pedacinho” da amizade que não se vai!

Juntando-se a isto, lembro minha mãe dizendo, há muitos anos, que onde eu ia juntava povo. Bem assim. Ela dizia que eu sempre concentrava amigos muito diferentes uns dos outros e que não ficava nunca numa turma só.

Fiquei pensando… E me veio na cabeça a alegoria de uma ponte (unindo) e de um porto (preparando partidas). E, finalmente, pensei que é realmente o que devo ser: um pouco ponte, um pouco porto. Por vezes uma, por outras o outro.

Não resolvi minha vida, com certeza. Mas resolvi comigo mesma certas pendências que me deixavam meio triste, meio cética, meio desconfiada, meio cansada. Entendo a analogia, entendi mais de mim do que poderia entender em anos fazendo talvez uma psicoterapia e tal.

Agora, fica mais simples encontrar as pessoas. Com o encontro, ao fluir as energias, perceberei se estou ali para ser ponte ou porto e, dependendo do que de mim for pedido, poderei fazer o melhor, principalmente, seguindo eu também o meu caminho, sem tristezas.

 

Sou uma ponte, por onde passam todos os naufragados, os caminhantes apressados da estrada, os sobreviventes do deserto; os sedentos, os esfomeados, os necessitados de amor, de voz e de ouvidos…

Sou um porto, onde descansam os cansados das viagens, onde param os que aguardam a próxima viagem. Porto onde pairam os que, no afã de seguir, já não mais sabem onde ir. Onde chegam todos aqueles que mal me verão, pois estarão já de partida.

Ponte ou porto, tenho que me acostumar, aqui comigo as pessoas não vêm para ficar. Estacionam por um tempo, se fatigadas ou despossuídas, mas depois repartem sem olhar deixando não mais que recordações. Ficam o tempo essencial para receber o que precisam e depois se vão. Não é triste, não é para ser triste, é apenas natural.

Porto, dou de mim as ferramentas para que possam seguir em segurança, com as bagagens carregadas do que vieram buscar; ponte, uno, reúno, crio laços e distribuo as conexões. Mas em ambos os casos, devo sempre ter em mente que um porto não segura os barcos como uma ponte não mantém aqueles que lhe atravessam!

Aprender a conhecer-se e a amar o que sé é um grande passo. O maior que podemos dar na vida, pois é o que nos guiará por toda ela, sem vendas nos olhos e com o coração preparado para as experiências que se seguem.

Compreendido, assimilado e de agora em diante, vivido!

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