Contos e crônicas

NA ESTAÇÃO

O trem chegou no horário. Todos foram entrando, sem pressa, mas seguros. Ele olhava as pessoas entrando e sentia-se um pouco perdido. De repente estava ali naquela plataforma e não tinha certeza de mais nada. Nem de querer entrar, nem de querer partir… ou de ficar. Nele debatiam-se sentimentos contraditórios e sentia a dificuldade de lidar com eles, ainda mais, pensava, logo agora que o momento exigia uma certa prontidão, uma decisão rápida. O trem não ficaria ali por muito tempo, no momento marcado ele partiria rumo ao seu destino. E ele ali a olhar os vagões, os trilhos, as gentes que iam e vinham. Sem saber o que fazer. Pensou no fato de ter chegado até ali. Como tinha sido mesmo? Não lembrava. Lembrou da urgência que tinha de partir. Mas por quê mesmo? Tentava entender. Nada fazia sentido e ele ali, parado, desestruturado, sem nada nas mãos. Sim, ele não tinha bagagens. Nenhuma. Suas mãos estavam livres. Observando as mãos então entendeu! Tudo o que tinha estava ali mesmo, dentro dele! Tudo o que ele levaria na viagem estava no seu interior, tudo o que acumulara ao longo da existência. Sorriu brevemente e encaminhou-se para a porta do trem. Não olhou para trás, nunca gostara de despedidas.

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