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PEDAÇOS FICAM…

Pedaços ficam pelo caminho. A gente anda, anda. Impossível chegar inteiro ao destino se viver plenamente… Quem se entrega à vida dá de si inteiramente… Não dá para ficar ileso. Sem quebrar, sem ferir, sem doer… O corpo em pedaços, da alma estilhaços espalhados por toda a estrada. Tropeços, quedas, idas e voltas… perder o rumo e reencontrar… Fazer curvas esperadas e outras não. Beirar os abismos, enfrentar a morte, as várias mortes, transformações… afundar em águas e emoções. Mas há escolha… e é possível passar a vida a observar. Caminhar lentamente, observando a paisagem e os caminhantes, sem verdadeiramente participar. Deste jeito até pode ser possível chegar quase inteiro ao fim do caminho. Sem os percalços, as corridas, os baques, as agonias de decidir diante de encruzilhadas… Só que… vale a pena? Diga se vale a pena o que já está pela vida indo, o corpo e a alma cobertos de cicatrizes, os pés lacerados e ainda assim guarda um sorriso no olhar. Diga se é possível aquele que não parou na estrada, a não ser para breves pausas. O que lutou, gritou, cantou, chorou. Este certamente não chegará inteiro… E o que é mesmo inteiro? No afã da última morte, aquela que separa os envólucros e as essências, pode ser que se fique sabendo. Até lá, vale ir vivendo…

Imagem by superkarin 

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