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MEUS ANTIGOS CARNAVAIS: A SEXTA DE CARNAVAL!

Em 1989 passei o carnaval em Veneza. Lindo, lírico, silencioso e frio. Em 1990, passeio o carnaval em Laguna. Como bem definiu a minha amiga Rita De Oliveira Medeiros uma vez num e-mail que me enviou, ele era festejado no centro da cidade, e era assim: “… o nosso carnaval era maravilhoso por que rolava naquele ambiente muito doido, muito histórico, muito bêbado, muito tudoooooo!!!!!”Disse ela referindo-se ao ambiente repleto de passado, de vida e de história do centro da cidade, por onde desfilavam as escolas de samba, blocos de rua e de salão, mascarados e mais tarde trios elétricos. Combinávamos ontem, brincando, ela em Floripa e eu aqui em Genebra, a fantasia para ir “pular” o nosso carnaval.

Pois, falo de 89 e 90 porque foram os meus últimos carnavais. Depois destes, não vi outros pessoalmente…

Se sinto falta? Já senti. Muita. Já cantei, já sambei, já fiz meu próprio carnaval aqui em casa. Já passei noites em branco, já organizei carnaval em casa para amigos. Hoje em dia já não sinto mais falta, já cheguei a um estágio próximo da indiferença, aquele que faz com que a gente admire algumas coisas e fique admirado com outras.

Houve um tempo na minha vida em que era fora de cogitação não ter fantasia para desfilar em minha escola de samba e ao menos uma para ir brincar nos blocos de salão. Aliás, minha primeira foto fantasiada, é vestida de baiana aos onze meses de idade, sentada, sorriso maroto, na mesa de um clube.

O carnaval dos meus tempos começava assim: a sexta era no clube 3 de Maio. A mãe de uma amiga nossa (Nereide Goulart) nos levava (ah, saudades da tão querida D. Ritinha!!!) com toda a paciência do mundo. E quando digo “nos” levava, digo todo um grupo de adolescentes formando “bloquinho”, fantasiadas de alguma coisa, completamente afoladas para começar a festa!

O sábado, ou era Blondin, ou era Congresso, mesmo grupo, em geral acrescido de mais algumas amigas, sempre com um “parente cheio de dentes”. Domingo, o inverso, ou seja, se tinha sido Blondin, agora era Congresso e por aí ía. Segunda-feira, com algum chorinho tinha mais. E a terça, ah, a terça tinha que ser com muito, muito choro. Porque a terça-feira era a famosa do 3 de Maio que ia até o meio dia da quarta de cinzas… e em geral esta era muito difícil de conseguir alguém que nos levasse!

Depois vieram os tempos das “turmas”, das “concentrações”… estas últimas com certeza reunindo as melhores histórias que muita gente deve ter pra contar, com certeza, sobre muitos carnavais!!

Sexta-feira sempre foi meu dia favorito de carnaval. Por ser o primeiro. O que anunciava todos. Naquela época (a minha época), há mais de vinte anos, saímos vestidos de mascarado no pré-carnaval, brincávamos, sambávamos. Mas a expectativa das fantasias, ficava para o oficial. E quando chegava a sexta-feira, o frio da barriga que dava, não tinha como evitar. Porque no sábado sabíamos que seria a “inauguração” da primeira fantasia de salão! E domingo, para quem desfilava em escola de samba, o grande dia!!

Comparação, só com a quarta-feira de manhã, quando o sol vinha levantando, a gente na praia, olhando o mar, sabendo que aquela fantasia que vestíamos ali, naquele momento, não serviria mais. Aí era outro friozinho, mas triste. Era quando se voltava pra casa e ia dormir com a certeza de que tinha acabado o carnaval.

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