Poemas

EU SOBREVIVI ÀS SAUDADES

Quando olho para trás, me espanto!

Eu sobrevivi às saudades, tantas saudades…

Momentos difíceis, distâncias inúteis, gritos de volta e silêncios mortais.

Sobrevivi e hoje penso: como?

Se as dores eram tantas, tão profundas

e me afundavam em lágrimas e eu afogava as lágrimas

e cantava músicas e mais músicas tentando lembrar e esquecer.

Como, como, como eu sobrevivi a tanta saudade?

Ferida aberta, imensamente aberta, sangrando pelo corpo

sangrando pelos olhos, pelas mãos em doridos escritos.

O tempo foi passando e foi trazendo despedidas cada vez maiores

e cada vez mais tristes

O tempo que ao invés de amainar as dores, aumentava a saudade

endurecendo minha alma até as mais tristes consequências…

Emoções resumidas à saudade, tanta saudade!

E o tempo fez isto até chegar a um ápice jamais imaginado

onde a dor simplesmente me abraçou e me chamou de filha.

Penso que deve ter sido ali, por ali, mais ou menos ali

que a ferida iniciou sua cicatrização.

Quando dores foram aos poucos se fechando, ficando por dentro da pele marcada.

Ferida que escondeu-se na carne e da alma escondeu a podridão de seu mal.

Hoje as saudades quase que se foram; volta e meia doem como doem as cicatrizes de machucados comuns…

Doem com o vento, a mudança de tempo, certos toques…

mas já não doem sozinhas, apenas estão lá bem marcadas para não serem esquecidas.

Eu sobrevivi às saudades… deus, tantas saudades!

E elas me sobreviverão escritas, cicatrizes abertas que eu deixarei

Para que a dor sentida tenha ao menos uma razão

A razão de me fazer permanecer

Sem enlouquecer mais um dia, menos um dia, qualquer dia.

Imagem by Márcio Medeiros

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