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canto BRASIL

Brasil… Meu Brasil brasileiro… Brasil que mora no meu coração. Da língua que tem saudade e pimenta. De cheiro. Muitos cheiros bons… de mato, de mar, do chão árido. Terra das palmeiras ondem cantam os sabiás e os bem-te-vis… Os canários engaiolados também cantam. Choram? Brasil que trago na pele. Do povo faceiro que brinca com tudo. Vive acima de tudo. Bem, mal, bem mal… muito bem, todos de um jeito ou de outro, vivem o carnaval. Música. Caetano, Bethânia e Gal. Chico também e os outros que vieram antes e depois e cantaram todas as fases do Brasil. Varonil. Brasil que eu tenho na ponta dos dedos. Minhas palavras saem todas em Português. Diretamente para a tela. Para o papel também. Paisagem da praia que eu olho, Clarice, Rubens, Ferreira, Lygia. Tanto para ler e o tempo parece curto. Brasil que me ilumina os olhos quando falo. Orgulho. Apesar dos pesares. E dos falares. E dos pensares. Ainda o melhor lugar do mundo para ter dentro de si. Gigante pela própria natureza. E os que destroem ativamente se alastrando pelas terras brasilis. Os que defendem gritam, escrevem, saem às ruas! Mas pobres! Não tem força para parar o progresso. Ordem e progresso. Brasil que acontece em mim todos os dias. Quando falo. Quando sinto. Eu que sinto tudo na minha língua materna. Não seria possível explicar dor em outra língua. Como diria sofreguidão de outra forma? Eu te amo meu Brasil, eu te amo… Meu coração é verde… Meu coração é colorido de Brasil. Tem as cores do frevo, do samba, de todos os sons que vivem alegrando os ouvidos que vão trabalhar todos os dias desde a madrugada. Brasil que mora no meu ventre. Que eu mastigo, engulo, vomito e transpiro. Amor que às vezes se mistura com raiva. Talvez seja a distância. Talvez a agonia de ver o tempo se esvair e não retroceder. Ah! Abre a cortina do passado… Brasil, pra mim… Mesa farta de feijão, arroz e pão. O que é meu é teu, sempre cabe mais um, onde comem dois comem três. Mártires e heróis. Brasil dos que morreram lutando e dos que vivem lutando. Terra que onde pisei os meus primeiros passos. Nasci e a inspiração cresceu. Vou voltar… sei que ainda vou voltar… para o meu lugar, é lá… É lá que o mar se joga em cantigas sobre a calidez da areia. Sertão que eu nunca vi e que as histórias contam. Li. Mas não vi. Tanta coisa eu ainda não vi. Pátria amada, Brasil. Que me corre nas veias, defendo com unhas e dentes. Palavras frementes. Da minha mãe falo eu somente. Mais ninguém. E seu nunca mais te ver? Se nunca mais por os pés no teu chão? Se não ver mais tuas cores, ouvir os teus sons? Brasil, mostra tua cara! Quero ver quem paga… Quem? Quem vai me pagar o prejuízo de existir sem ti? Brasil que vive em meus anseios mais profundos, canto que toca em meu peito… coração bate Brasil, Brasil, Brasil… O Brasil antes de Cabral. O Brasil depois que não permaneci. Brasil pra mim, pra mim, Brasil…

 

Imagem by Antonio Thomás-Koenigk

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