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FASES SEM TEMPO DE SER

Antes de ser criança eu fui velha, muito velha, tão velha que de velha eu morri. Morri tantas vezes de velha e de moça que um dia senti a dor de nem ser mais. Antes de ser velha, eu fui criança e ao querer não mais o ser, cresci. Cresci tanto de criança para moça, de moça para mulher, que um dia eu parti. Meu sorriso era puro e sincero e nunca foi moldura. Mas a dor ficou comigo de forma tão permanente que por trás do sorriso me trincam os dentes. Atrás de tudo o que espero. Ai, que as dores também elas são passagens do tempo em nós… Elas que tatuam o coração de cicatrizes que são impossíveis de apagar depois. Depois… depois de muito tempo, quando tudo em nós se perde e se encontra… quando as imagens na memória se confundem em nomes e matizes. Não se sabe mais o que foi real, o que foi sonho, o que foi vivido. Sabe-se apenas que o coração nunca fica vazio, ele que mesmo quando a ausência existe, ainda está cheio, seja de saudade, seja de dores… Dores! Por causa delas eu morri tantas vezes! Eu que vivo há tanto tempo entre a criança, a moça e a velha… Vivi tanto e tantas vezes. Morri tanto e tantas vezes! Vida e morta, moça e velha, criança no tempo infinito que me abraça e acalanta. Estar viva me encanta e aflige. A alma velha, tão velha… o corpo envelhecido pela vida que passa… pelo tempo que abraça meu corpo e o transforma. Um dia vou cansar de morrer. Então despertarei.

Imagem by Geralt

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