Poemas

EM VELHOS E NOVOS PEDAÇOS

Volto os olhos para dentro de mim

e encontro a velha pessoa que escolhi ser.

Num acesso de fúria quero mudar tudo!

Quero mais de mim mesma, muito mais!

Largo as amarras, desaperto as cordas

desajusto os tons.

Quebro em mil pedaços tudo o que pensei ser.

De hoje para amanhã haverá tantas mortes

no meu interior quanto eu puder realizar.

Mortes necessárias.

Porque só ressuscita quem morre.

Então muito de mim deverá partir

para que eu possa iniciar a reconstrução…

Tenho consciência de todas as escolhas

que me levaram a ser exatamente quem sou.

E daí? E daí que sei, que escolhi?

Agora também é uma escolha, uma nova escolha

e escolho me desconstruir.

Quero depois juntar os pedaços que importam.

Criar novos pedaços, artesanalmente,

com o coração ainda sangrando…

com as lágrimas ainda escorrendo.

Farei tudo isto para poder existir verdadeiramente

para poder me achar gente…

para fazer de mim um ser que pode amar

mesmo não sendo amado.

e que pode perdoar

o que nunca deveria ser perdoado.

Que sonhará acordado

mas que não viverá do sonhado.

Perfeição não é parte dos ingredientes

para a nova eu despontando das cinzas…

os desejos de perfeição, aliás,

terão sido queimados junto a todos os pedaços:

as vaidades, as agonias, os medos, as preguiças

as esperanças perdidas, os pesadelos…

os amores esquecidos, as paixões refreadas…

as palavras engolidas, os sofreres todos…

as promessas feitas, os desejos calados…

Quero agora na união do que fizer de mim

tão somente o presente.

Amor presente. Amigos presentes. A vida presente.

Para qualquer dias destes

quando olhar sem querer para dentro de mim

uma outra vez…

poder enxergar alguém que eu veja e diga:

sou eu!

 

Imagem by Sarah

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