Poemas

OS PESCADORES E OS BOTOS

As mãos são cheias de marcas fortes, são mãos fortes de experiência…

assim também

é o rosto, cheio de rugas cavadas pelo sol enfrentado diariamente,

Alguns fios brancos se penteiam com o vento junto aos outros fios negros ainda…

O homem em suas roupas simples e velhas, tem consigo a tarrafa

tecida pelas mãos talentosas da rendeira com quem ele divide seu lar…

Ele prepara a rede.

Espera.

Espera.

Espera silencioso, respeitoso do céu que o cobre e do mar onde pisa.

Á água nem se mexe… calma que está… ele espera o movimento…

que vem em seguida…

o boto vem… como se fosse mágica, o boto vem e parece sorrir ao vê-lo…

o boto salta…

e salta…

então volta ao mar…

Pescador joga a rede…

a rede cobre o mar como o manto da santa para quem ele reza toda noite…

ele joga a rede, estica

e puxa…

puxa…

traz com ela os peixes que saltitam, tantos peixes que ele não conta…

enquanto do outro lado mais adiante

o boto continua

a saltar…

saltar…

vai e volta pelo mar… e outros mais vêm, eles saltam… saltam…

Os peixes na rede, a rede na areia, os pés cansados do pescador na areia…

Seus olhos acompanham sorridentes os botos no mar…

Amanhã será outro dia de pesca. Outro dia de cumplicidade.

Pescador e boto trabalham bem quando trabalham unidos…

é nesta união natural que a fome é vencida.

 

 

E tem gente que esquece da amizade generosa entre o homem e os botos. Tem gente que privilegia prazeres e bobagens, joga lixo, se torna lixo, mata os animais que ajudam a sustentar o pescador e os que dele dependem.
Mais uma injustiça de certas “marcas” bem definidas de ser humano que se destacam pela pobreza de espírito. Triste!

 

Imgem by Edimilson-Barcelos-Pesca-da-tainha-Laguna-boto-Marco-Santiago

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