Poemas

POR APENAS UMA PALAVRA…

Vou contar até três…

Não… até trinta….

Bem… pode ser até trezentos…

Na verdade

se em você há uma promessa de volta…

vou perder a conta!

O que conta

é ouvir novamente

sua voz…

ver seu rosto sorridente

suas mãos vindo me buscar!

Então faço de conta que é só brincadeira

que você foi ali e já volta…

que em alguns minutos vai passar

por aquela porta

e tudo será como antes…

antes de você partir

antes de você sequer se despedir…

 

Estou de olhos fechados contando. Contarei até cansar… ou até dormir. Depois despertarei talvez, abrirei os olhos e sei que estarei apenas com a sua ausência. Ela já faz parte do meu cotidiano. A promessa da vida para nós dois era para sempre. Mas para sempre é coisa de eternidade e a única coisa realmente eterna é a impermanência e seu movimento constante. Deixa… deixa que tudo se acalma. Eu já me acostumei. Já me transformei. Já me permiti seguir com o tempo e os ventos. Outra hora eu recomeço… a contar… a brincar… a fazer de conta. São sonhos. E sonhos precisam existir para que possam depois se transformar em versos. Versos que hoje não farei porque já cansei. Do sono, dos sonhos. Da espera inevitável e inconfessada que me acompanha. E tudo isto porque ficou faltando a palavra essencial: adeus!

Você pode gostar também de

Sem comentários

deixe uma resposta