Poemas

SONHOS OPRESSIVOS

E aí eu fui sonhando, sonhando, sonhando
e durante os sonhos encontrando pessoas que me faziam falta
e, confesso, ainda me fazem muita falta.
Fui nos sonhos percorrendo lugares que ora me pareciam conhecidos
e noutros instantes logo seguidos, completamente frios e distantes…
É que em meio a reencontros e sorrisos trocados
também o pesadelo se fazia: ai que a distância se transforma então…
ela engole todo o bem e o faz parecer cinza, escuro, tempo fechado sem luz.
Nem uma estrela para iluminar o instante em que, perdida, vago.
Procuro e não acho. Pergunto e não tenho resposta.
Corro sem sair do lugar. A força não me vem sequer para andar.
É o pesadelo, este que também é sonho, mas tem um peso amargo
e a aflição que dá é tanta que incomoda lá tão dentro, tão dentro… dói!
Quero acordar, sair dali, não ver mais nada, nada ouvir…
E fica então a letargia a corromper o sono: o corpo que ainda distante
não se move e se imagina sofrer… a alma que vaga entre a flor do despertar
e o terror de novamente adormecer…
Enfadada, agoniada e cansada, sigo a estrada me perguntando… aonde irei?
Se nem mesmo sei como voltar ou para onde voltar… aonde irei?
Mas feliz de mim a alma forte se reconcilia com o corpo e despertam os dois!
O sono ronda… mas o despertar já se fez.
Daquele estado de torpor, daquelas profundezas desconhecidas
volto e reparo no ambiente familiar.
Já não vejo as pessoas queridas que brevemente passaram por mim…
Também já não vejo os horrores que me torturaram os momentos de repouso…
Volto ao dia, volto à lida, volto à vida.
A madrugada levou com ela minha dormência e toda a ausência de alegria…
Neste retorno trago comigo as palavras que estiveram mudas.
E todos os passos que estiveram presos.
E toda a saudade que foi amiga e inimiga.
Volto ao dia, reforço as vigas, renovo a vida…
Quando dormir novamente quero a paz do sono tranquilo apenas…
Se não sonhar, que seja! Guardarei sonhos para os intervalos do dia
em que puder fingir ter asas nestes pés brutos de terra.
Para com elas, as asas inexistentes que existirão por minha persistência,
atravessar os medos e as dores que povoam os pesadelos
e aterrissar, finalmente, na terra dos bons sonhos
onde vivem os que ainda amo e onde há ainda piedade
com as pessoas que como eu, pecam todos os dias
sem confessar.
Imagem by Alyssa L. Miller

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