Poemas

CAMINHOS IMPRECISOS

Meu caminho de volta eu fiz contando estrelas

brincando com seus reflexos na minha pele e no chão.

Eu estava olhando o chão.

Pulava amarelinha em quadrados imaginários de giz

e ia saltando, de um em um, de dois em dois

tentando chegar ao céu.

Fiz curvas fechadas, vi precipícios, escapei deles

porque asas transparentes sempre me seguraram.

Mesmo assim cheguei a ver o fundo, lá no fundo

aquele escuro que não se sabe onde termina

porque nunca se viu onde começou.

E ainda guardo as marcas brilhantes e invisíveis

aos olhos comuns como os meus

das asas que me guardaram e sei que guardam

quando saio pela rua a contar estrelas

e a pular amarelinha nas calçadas

tentando fazer o caminho de volta

pensando ser o caminho de ida.

 

Imagem by Turkkinen

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1 Comentário

  • responder
    Zuleida
    14 novembro 2016 em 23 h 36 min

    Que cheios de sentimentos estes teus poemas! O blog está demais!

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