Poemas

PAREDE DE VIDRO

Por caminhos sigo devagar observando o mundo

e vendo de mim percebo, são tão poucos

que o som do meu silêncio os deixa roucos

e invisível o muro é um poço sem fundos

 

Há mais distância entre quem me vê e o meu eu

do que entre os polos e as avenidas das cidades

ou entre a busca mais serena da felicidade

e a agonia do que pela vida se perdeu

 

Quem construiu, diante de mim, esta parede?

Quem erigiu esta muralha e me fez ausente?

Quem me largou na multidão tão diferente?

 

Talvez eu mesmo e os medos e a sede

talvez o mundo na agonia mais fremente

deixou de mim apenas sombra aqui presente.

 

Imagem by PublicDomainPictures

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