Desvarios

MEUS PENSAMENTOS

Onde estariam os meus passos hoje se algum deles tivesse feito uma das curvas que entrevi e duvidei existir?

 

Creio menos da ingrata bondade dos homens do que em sua inegável e implacável crueldade.

 

O calor que sinto é um calor procurado, cultivado. Não há nada de natural no seco da sensação.

 

Os olhos se fecham um pouco, como se houvessem faíscas de um fogo que se elevasse e trouxesse para eles o ardume. Mas não há fogo, o calor é seco e os olhos não veem.

 

Um pedaço de mim ainda queria. Seria. Poderia. A outra parte, em comum com as outras, apenas é.

 

São janelas de vidro encastradas na pedra. Assim são meus olhos, com o olhar coracional para o mundo.

 

Momentos que vou. Longe, perto, sem distâncias no tempo. Um balanço de quintal: vou, volto, vou, volto, vou…

 

Para onde vão as estrelas? Para o mesmo lugar de onde vem todo o brilho que lhes havia.

 

Altos e baixos. Assim são feitos os momentos da vida. Como vales e montanhas, se sucedendo na paisagem e proporcionando uma magnífica visão.

 

Escrever o que certos não entendem e outros nem lêem. Escrever o que passa pela cabeça, voos, sobrevoando a iminente rima com o nada.

Afiar a língua como se fosse faca.

 

Amor, rei destituído, sentimento envelhecido, pela dor.

 

Costumava escrever sobre o amor, linhas, linhas de vida, linha do coração. E um dia houve um fim. Acabou-se o sentimento, a força e o ardor. Acalmou-se a dolorosa ferida, atrasou-se a canção para mais falar de mim. Se um dia fui a fortaleza da paixão, hoje sou somente a vitrine de uma emoção empalhada.

 

Dores despertam o corpo e a alma. Estão lá porque as chamamos, para nos acordar e tirar de onde nos entocamos.

 

Imagem by Life-Of-Pix

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