Desvarios

CRUZAMENTOS, CAMINHOS E QUESTÕES

Olhou o sinal fechado. As ruas se dividiam em três. O carro dava sinal para virar para a direita. Não havia nenhuma placa interditando a esquerda. Ela olha com curiosidade todas as opções e, curiosa, pergunta:

– E se for reto onde é que vai dar?

 

Muitas vezes caminhos diferentes acabam levando a um mesmo lugar. A verdadeira questão está em saber quantas vezes teremos ou desejaremos percorrer cada caminho até chegar a tal lugar. Ou a verdadeira questão seria a importância deste “mesmo lugar”?

 

A estrada segue até o local que nos espera. Longa ou curta, solitária ou plena de surpresas, ela se termina ali onde nosso destino começa. O que continua não nos pertence. Mesmo seguindo, a estrada torna-se vã, pois em sua aridez de sequências não nos revela mais respostas.

 

 

SINCERIDADE

 

Nada mais reconfortante do que ouvir a pergunta: Tudo bem? E então responder tranquilamente: Não…

 

NATURAL COMO O INVERNO 

Nestes momentos de inverno tento aos poucos me libertar de mim mesma e de tudo o que me segura longe daquilo que há de ser. Correntes, cadeados, chaves. E o peso de tanto que envolve cada pedaço de mim. Através das nuvens tento olhar o céu e dar leveza aos passos que caminham em direção à próxima estação. Raios fogem de meu interior e fulguram como em um dia de festivo. São rápidos, claros. E como na natureza tão mãe, pouco depois deles ouço o estrondo, como se tudo fosse desabar. É o coração que desanda, batendo forte, bem forte, mais forte até quase parar. E então sinto cair, uma a uma, as lágrimas, esta chuva incessante de emoções minhas.

 

AMANHÃS

 

Ai que eu olho para o chão mesmo e ali deixo o meu olhar e ali mesmo fico pedindo e repetindo às sombras que passam pelo retorno do meu rico silêncio… e nada.

A vida, sempre ela, passou a semana inteira a me cobrar papéis e justificativas de morte e vida. Dos outros a morte e de mim a vida. Entre tantos sentimentos contraditórios, passei eu a semana querendo justificar a minha vida. E dos outros a morte. E só silêncio. E mais silêncio. Silêncios pobres.

Agora tudo o que tenho vontade é de tapar os ouvidos, fechar os olhos e desaparecer. Impossível? Impossível sim. Amanhã é sábado. E pouco me importam as razões e se os silêncios que comigo estiverem serão desejados ou não. Serei Vinícius e declamarei “…porque hoje é sábado”. E continuarei. Ponto. Não final.

 

FAZ SENTIDOS

 

Cortando, abandonando, dissolvendo, movendo, amputando. Certas pedras só saem da frente depois de serem retiradas de trás. É triste, é duro, mas é um fato.

 

PRETENSÕES

 

Quantos ser? Nenhum ser? Por mais que nosso egoísmo ou nossa pretensão como humanos não nos permita existir apenas dentro de nós mesmos, a luta para existir fora sempre nos levará a um caos maior, talvez até a conceber a existência do supremo, talvez negar a ausência do que se diz alma .

Enquanto sou único nunca sou uno. Mas sou. Mesmo sem saber para onde vou.

 

Imagem by Yakir

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